Stalker (1979)

Stalker 2

Tarkovski decreta o fim da utopia em ficção científica atípica e marcada por reflexões metafísicas herméticas

O cinema do diretor russo Andrei Tarkovski não é fácil de assimilar, dada a natureza hermética e abstrata dos temas e o estilo particular de desenvolvê-los, como se o cineasta estivesse esculpindo o tempo/espaço entre as tramas e os personagens. Stalker, de 1979, vai nessa linha, ao contar a história de um futuro não muito distante marcado pelo caos e desolação.

 

Após um meteoro destruir parte de uma região do planeta, o Estado isola o local denominado de “Zona”, onde, por sinal, existe um obscuro quarto em que todos os desejos são realizados. Objeto de curiosidade de alguns subversivos, o espaço desperta o interesse científico de um professor e fonte de inspiração para um escritor. Para chegar até lá, eles contarão com os serviços e ajuda de um “Stalker” (rastreador), espécie de caçador de segredos neste mundo marcado pela decadência.

“Stalker é, em certo sentido, uma vocação”, explica alguém na história.

Com pinta de ficção científica em que o viés metafísico surge entre diálogos e imagens, o filme, baseado no romance, Piquenique à beira da estrada (Boris e Arkadl Strugatski) é um parente distante, neste contexto, do igualmente difícil, 2001 – Uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick. A diferença é que, no futuro de Tarkoviski, os habituais cenários intergalácticos e efeitos especiais são substituídos por visual sombrio e ambiente marcado por total abandono.

A câmera lenta e planos longos atenuam a angústia dos personagens diante dos olhos do espectador, criando um clima de desespero e latente pessimismo. O final macabro, com copos andando sozinhos numa mesa, é assustador e deixa um ponto de interrogação perturbador, como se o diretor estivesse decretando o fim da utopia.

* Este texto foi escrito ao som de: Blues to the bone (Etta James – 2004)

Etta James

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