Maridos e esposas (1992)

Husbands and wives

Woody Allen e Mia Farrow discutindo a relação com muito humor e inteligência

 

Quem não entende do assunto acha que Woody Allen faz sempre o mesmo filme. Não é verdade, bobagem e das grandes. O diretor nova-iorquino não apenas se reinventa tematicamente, como se mostra ousado do ponto de vista narrativo. Eis uma prova  contundente: “Maridos e esposas”, um desses trabalhos que dão uma guinada na carreira do diretor que melhor desnuda os problemas existenciais e morais da humanidade.

 

É a história de casais sofisticados em crise no casamento em… Nova York. Numa noite qualquer, Gabe (Woody Allen) e Judy (Mia Farrow) recebem a bombástica notícia de que seus melhores amigos Jack (Sidney Pollack) e Sally (Judy Davis) estão se separando. E o pior. Eles levam o assunto numa boa e se mostram conformados com a situação. Judy se deixa abalar e começa a refletir sobre sua relação com o marido que, embora eles não notem, ou não queiram notar, não está lá grande coisa.

A câmera nervosa e trêmula que o tempo toda percorre a trama é uma metáfora dessas convivências conturbadas e em conflitos, velados ou não, mas também a evidência de que todos estão fazendo parte de um documentário. Sim, porque volta e meia, entre flashbacks e o presente, os personagens estão narrando em depoimentos suas peripécias conjugais diante de câmera.

“Ela é a minha versão mais jovem”, gaba-se Gabe, ao se sentir envaidecido pelas cantadas de uma aluna com vocação para literatura vivida pela bela Juliette Lewis.

Interessante, aqui, como Woody Allen consegue trabalha de forma inteligente e divertida, os meandros das relações a dois, fazendo com que os conflitos de seus personagens se interagem entre si de forma tão intensa e natural, criando uma intricada teia de cumplicidade, solidariedade e descobertas incômodas. Se bem que, humor inteligente, em se tratando dos filmes do diretor, é algo tão redundante como dizer que o filme se passa em Nova York.

Em meio a tantas desavenças e embates amorosos, Woody Allen ainda deixa brechas para a poesia do cotidiano, no registro passional e realista das pessoas transitando pelas calçadas e parques. É envolvente o passeio de seu personagem com a jovem aluna pelas calçadas arborizadas da cidade discutindo literatura, amor e coisas da vida. “Até não ser beijada numa tarde chuvosa em Paris você não sabe o que é ser beijada”, romanceia.

* Este texto foi escrito ao som de: Love songs (Sarah Vaughan – 2004)

Sarah Vaugahan Love song

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