Malala (2015)

Malala 2

Documentário humaniza figura de ativista dos direitos humanos vencedora do Prêmio Nobel da Paz com imagens do cotidiano

Não vou ser hipócrita. Quando vi o cartaz do documentário Malala, no Libert Mall, não me empolguei nem um pouco, atormentado, talvez, pela ideia da fita ser mais uma daquelas produções que beatificam figuras públicas vítimas de alguma violência político-social. Sabe como é né? É muito fácil e perigoso a invenção sentimentalóide de um mártir ainda vivo. Como diria o dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898 – 1956): “Triste do país que não tem herói. Não! Triste do país que precisa de herói”.

Acontece que é ser muito desinformado e ignorante para pensar tudo isso sobre a jovem paquistanesa baleada na cabeça, em outubro de 2012, por extremistas do talibã. A ativista dos direitos humanos e na luta pelo direito à educação para mulheres não apenas sobreviveu, como contou sua história em livro e filme, aqui, numa narrativa despojada, despretensiosa e, alguns momentos, até lírica, do diretor David Guggenheim (Uma verdade inconveniente, 2006).

A animação da abertura que conta a história de uma guerreira afegã – inspiração para o nome de Malala Yousafzai -, já pega o espectador de jeito. O que se segue, sem ser cansativo ou convencional, do tipo, “mais do mesmo”, é a explicação dos tristes fatos por meio de matérias jornalísticas e o que sucedeu depois do atentado, com a ida da família para a Inglaterra, culminando com o merecido Prêmio Nobel da Paz. A luta para não ficar deficiente e o dia a dia com os irmãos e o pai, seu protetor e melhor amigo, além de figura chave em todos os acontecimentos que permeia a vida da personagem.

Malala, como mostra as lentes do diretor Davis Guggenheim, está longe de ser uma santa ou mártir da causa, até porque não morreu e se mostra frágil com a média das meninas de sua idade. Ou seja, gosta de mexer nas redes sociais, é fã de Paulo Coelho e Roger Federer, tem vergonha de revelar seus sentimentos amorosos e perde às vezes a paciência com os irmãos menores. Enfim, ela é gente como eu e você.

Resta saber se o futuro incerto e motivado por brigas religiosas medievais, irá eternizar essa imagem.

* Este texto foi escrito ao som de: The sounds of India (Ravi Shankar – 1968)

Ravi Shankar

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Um comentário sobre “Malala (2015)

  1. Não consegui levantar da cadeira quando o filme acabou. Fiquei ali, a refletir. E a música que toca nos créditos me magnetizou também…

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