Táxi Teerã (2015)

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No filme, o diretor Jafar Panihi, preso recentemente em seu país, brinca de chofer para fazer duras e divertidas críticas contra o Islã…

O título do novo filme do cineasta iraniano Jafar Panihi é sim, uma referência ao clássico de Martin Scorsese dos anos 70, mas, guardado as devidas proporções, a temática aqui é mais contundente. Trata-se de um desabafo on the road do cineasta pelas ruas da capital do país que, como diz um dos passageiros-personagens da fita, mais mata gente depois da China. Estamos falando do premiado diretor iraniano que amargou alguns anos na cadeia e está proibido de deixar o Irã por fazer fortes críticas contra o regime em seus filmes, denunciando a intolerância do regime islã.

A fita, premiada em Berlim e Veneza, já começa tensa, com a ausência de créditos e no final abrupto e simbólico, vamos entender o motivo. Ao todo, sete clientes, entre eles uma sobrinha do diretor, um aspirante a diretor de cinema e um antigo vizinho que esbarra com ele pelo caminho, ajudam a contar as mazelas políticas e sociais que a tirania da religião esconde dentro de narrativa pseudo documental.

Há muito humor no discurso de Táxi Teerã, mas por baixo da sutileza cômica das histórias ouvidas pelo chofer Panihi, surge uma onda de tristeza, indignação e revolta. Ninguém mais quer saber de ouvir sobre pessoas enforcadas por crimes menores ou presas por descrever a dura, cruel e opressiva realidade do país.

“Ninguém nasce criminoso, as pessoas viram bandidos pelas circunstâncias”, lamenta ironicamente uma professora ofendida pelo machismo de um outro passageiro.

As contradições, radicalismo e absurdos do regime são questionados num outro momento divertido, que é o diálogo com a sobrinha do diretor que, assim como ele, sonha em ser cineasta. Ela questiona a dificuldade de fazer um filme em que os dogmas religiosos de sua cultura não a atrapalhe, nos levando, mesmo que sutilmente, ao mesmo problema que causou a prisão de Panihi. Mesmo vigiado pelo sistema opressor de seu país, o diretor segue em frente firme e forte. Mesmo amordaçado, o cinema ainda é uma poderosa arma contra as injustiças humanas.

* Este texto foi escrito ao som de: The Doors (1967)

Doors

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