A valsa do imperador (1948)

No filme, a bela Joan Fontaine e Bing Crosby contracenam com poodle e vira-lata...

No filme, a bela Joan Fontaine e Bing Crosby contracenam com poodle e vira-lata…

De todos os parceiros que o genial cineasta Billy Wilder teve para escrever roteiros, Charles Brackett, com certeza, foi um dos mais bem-sucedidos. Mesmo que, na hora de tecer suas formidáveis histórias, eles se atacavam um ao outro atirando listas telefônicas e tudo o que encontravam pela frente.  Mas quem se importava com isso se o espectador sempre encontrava boas tramas nas telonas quando ia ao cinema? Da cachola da dupla saiu grandes sucessos como, Cinco covas no Egito (1943), A mundana (1944), o ganhador do Oscar, Farrapo humano (1945) e A valsa do imperador (1948), talvez o mais fracos dos filmes de Billy Wilder na minha humilde opinião.

Uma das minhas implicâncias com a fita tem a ver com o protagonista Bing Crosby, o rival empolado de Frank Sinatra não só na música, mas também no cinema. Aqui ele se passa por um caixeiro viajante que tenta vender para o imperador da Áustria aquelas vitrolas que tinham como símbolo um cachorro, lembra? Mas acontece que o seu mascote vira-lata arruma confusão com a cadela poodle de uma condessa (Joan Fontaine) e ele, sem se dar contar, logo está numa confusão diplomática em que a moral dos seres humanos e animais está em xeque. E, em se tratando de Billy Wilder, o segundo sempre leva vantagem.

Mesmo uma obra menor na fantástica filmografia de Billy Wilder, A valsa do imperador traz elementos do marcante estilo cínico e cruel do diretor. Ou seja, aqui, como em qualquer uma de suas histórias, alguém sempre vai levar vantagem sobre o outro, mesmo que esteja em jogo o amor e o humanismo. Quer ver? O vendedor Virgil Smith quer se casar com a bela condessa Johanna (Joan Fontaine), ela é a mulher de sua vida, mas está disposto a abrir mão do matrimônio para se dar bem no negócio. E Billy é contundente ao qualificar seu caráter.

“Americanos fazem qualquer coisa na sua insana ambição”, cutuca uma aristocrata arrogante ao falar do yankee que invade a corte. “É um vulgar, impossível, detestável e grosso. Em uma palavra: americano”, arremata outro.

A ironia também se faz notar pelo estilo pomposo da produção, que remete àqueles filmes de Hollywood de época cheio de bailes, valsas e aristocratas metidos. E para Billy Wilder o tema é caro, já que remete as suas origens.

Uma das sacadas do roteiro, claro, está na comparação debochada, do início ao fim, da moral entre animais e humanos. Na visão niilista de Billy Wilder, o ser humano não presta, vale menos que um cachorro. E ele deveria estar certo, para estrelas como Bing Crosby e Joan Fontaine – a cara da Ingrid Bergman -, concordarem em contracenar com poodle e vira-latas.

* Este texto foi escrito ao som de: Harvest (Neil Young – 1992)

Harvest

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