Prefiro os Dez Mandamentos de Cecil B. DeMille

Charlton Heston naquela que é a melhor versão da história do patriarca hebreu...

Charlton Heston naquela que é a melhor versão da história do patriarca hebreu…

Está todo mundo consternado com a nova sensação da televisão brasileira, a versão de os Dez mandamentos, da Record. Eu vi algumas cenas e não fiquei nem um pouco impressionado. Para falar a verdade, nem fez cócegas no meu entusiasmo. Fico impressionado com a falta de informação das pessoas e o deslumbramento fácil das massas ignaras. O que poucos notam é que a “grande produção” farofa da emissora de Edir Macedo não passa de mera manipulação para pegar o espectador humilde, simplório e ignorante. O mesmo tipo de que se emociona com a pieguice e grosseria dos cultos shows que acontecem pelos tempos mundo afora. Eu não caio nessa lorota.

Desculpe, mas sou saudosista de uma época que não vivi, enfim, nostálgico de um período que não pertenci, e os Dez Mandamentos de Cecil B. DeMille, o clássico dos anos 50 imortalizado por astros como Charlton Heston (Moisés) e Yul Brynner (Ramsés), ainda é a melhor versão dessa história, passados quase 60 anos. E com um detalhe importante. Tirando a parte da travessia do Mar Vermelho, tudo feito no muque, ou seja, sem truque de imagens.

Uma das maiores produções de todos os tempos, o filme levou cinco anos para ser feito, mobilizando milhares de figurantes e cenários suntuosos. Para se ter ideia da megalomania do projeto, o roteiro tinha mais de 300 páginas, algo inédito para época. Setenta tinham diáolgos e 1200 storyboards foram desenhados para dar ação a história do homem que libertou o povo de deus do jugo egípcio.

Então com 75 anos, não era a primeira vez que Cecil B. DeMille filmava a história da travessia do Mar Vermelho. Uma versão pioneira por ele foi realizada em 1923. Mas agora o diretor e produtor queria eternizar sua trajetória em Hollywood com a maior produção de todos os tempos. E para que essa meta fosse conquistada, não mediu esforços. Só no Egito a equipe passou dez meses. Estúdios gigantescos da Paramount foram mobilizados para que os suntuosos cenários ganhassem vida. Cenas no sagrado Monte Sinai foram filmadas.

A escolha do ator que iria interpretar o personagem não foi difícil. Depois de ter trabalhado com Charlton Heston em O maior espetáculo da Terra (1952), DeMille lhe deu o papel do patriarca hebreu após ver a estátua de Michelangelo num museu de Roma. “Ele achou que o Moisés de Michelangelo tinha a minha cara”, lembraria Heston, anos depois.

A voz de Deus também foi feita pelo ator, depois de uma visita a um dos templos cristãos mais antigos localizado em Israel. “Eu comentei com o Sr. DeMille que se alguém chegasse a falar com Deus era algo que vinha de dentro”, comentou o ator. “Felizmente o rabino do templo concordou e foi assim que também fiz a voz de Deus”, recordaria orgulhoso.

Até 1963, com a realização de Cleópatra, com Liz Taylor no papel-título, Os Dez Mandamentos ostentava o título de filme mais caro de todos os tempos, perdendo o posto para a história da rainha do Egito. Mas Cleópatra não foi um sucesso na época e por um triz não teve a produção abortada, quase levando os estúdios Fox à falência. Os Dez Mandamentos foi um sucesso do começo ao fim.  E como Cecil B. DeMille comentaria entre os seus atores. Será um filme que os seus netos poderão assistir algum dia.

* Este texto foi escrito ao som de: Paul Simon (1982)

Paul Simon

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