Prisioneiro do Passado (1947)

No filme, Bogart, um fugitivo em São Francisco, só vai mostrar o rosto quase a metade do filme...

No filme, Bogart, um fugitivo em São Francisco, só mostra o rosto quase a metade do filme…

Boogie, como Humphrey Bogart era chamado entre os amigos, não era exatamente um galã na essência da palavra, mas tinha charme de sobra e era bom ator. Mas demorou muito para que esse talento fosse percebido por produtores e críticos. E quando isso aconteceu, ele já se encontrava com idade avançada. Mesmo assim, não desperdiçou a chance, que veio pela primeira vez na pele do gangster, Duck, no formidável A floresta petrificada (The petrufied forest, 1936). A consagração aconteceu como o cínico Rick, de Casablanca. Depois disso foi só colher os frutos. Uma deles como protagonista do noir, Prisioneiro do passado (Dark passage, 1947).

Com roteiro e direção de Delmer Daves (quem?), conta a história de Vincent Parry, um prisioneiro que foge de uma prisão de São Francisco, tentando se manter invisível diante da polícia e da sociedade. Por isso, quase a metade do filme não vemos o seu rosto, mas o seu ponto de vista a partir de um trabalho de câmera impressionante.

Sua única aliada é uma milionária excêntrica (Lauren Bacall), que solidariza com ele por achar, assim como aconteceu com o pai, que foi condenado injustamente. Um dia, Parry pega um táxi e o chofer lhe dá a dica de um cirurgião plástico clandestino que o transforma num novo homem. O homem que vai provar sua inocência tem a cara de Humphrey Bogart.

Soturno, o filme é de uma ousadia sem igual, por trazer uma de suas maiores estrelas até então, Bogie, quase que metade da trama, anônimo. É mais ou menos como se hoje Tom Cruise passasse parte da história sem mostrar o rosto. A narrativa baseada em história de David Goodis, é cheia de reviravoltas, e coloca em evidência a atuação coadjuvante de Agnes Moorehead, uma mulher que curte a felicidade em cima da desgraça alheia.

Uma daquelas preciosidades do cinema clássico que pode ser conferida numa luxuosa caixa com outros três filmes: O último refúgio (High Sierra, 1941) e os marcantes Uma aventura na Martinica (To have and have not, 1944) e O falcão maltês (The maltese falcon, 1941).

* Este texto foi escrito ao som de: Black Sabbath Vol. 4 (Black Sabbath – 1972)

Black Sabbath Vol. 4

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