O abismo prateado (2013)

Filme é baseado livremente na canção "Olhos nos olhos" de Chico Buarque...

Filme é baseado livremente na canção “Olhos nos olhos” de Chico Buarque…

Assisti o drama O abismo prateado, de Karim Aïnouz, outro dia, com clima de déja vù. Não entendi o porquê até me recordar que comecei ver a fita não sei onde com algumas imagens refrescando minha memória. É a história de Violeta (Alessandra Negrini), uma dentista que acaba de se mudar para Copacabana com o marido (Otto Jr.) e o filho (João Vitor da Silva) adolescente. Numa bela manhã, após uma noite tórrida de amor, recebe uma mensagem desagradável no celular. É a voz do marido lhe dizendo adeus, que ela seja feliz na vida. E quando entra Chico Buarque de Holanda e a música Olhos nos olhos, na qual o filme é inspirado livremente.

Mas não se iluda porque é uma adaptação livre mesmo, já que o roteiro não tem aquele clima de rancor e mágoa da letra do compositor. Segundo o diretor Karim Aïnouz, se ateve somente a ideia de “olhos nos olhos”. E a partir daí, constrói uma trama marcada por elipse e enigmas, com a personagem de Alessandra Negrini zanzando como se estivesse perdida ou não sabendo o que fazer.

Um filme menor no sentido de produção, O abismo prateado, assim como em outros trabalhos anteriores do diretor – destaque para O céu de Suely (2006) e Praia do futuro (2014) -, centra a narrativa na psique atormentada dos personagens. Joga fachos de luz aqui e acolá e, entre uma cena e outra, até pescamos o que está acontecendo, mas é o fator subtendido o grande barato do filme. Por que ele foi embora? O que ela vai fazer? E o que vai acontecer com o filho? Eles vão voltar? Para o bem e para o mal O abismo prateado é um filme onde não acontece nada, mas também acontece tudo. É pagar para ver.

O elemento surpresa fica por conta de uma garotinha (Gabi Pereira) e o seu pai (Thiago Martins), assim como Violeta, perdidos na noite carioca em busca de um rumo na vida, depois que a mulher o deixou. São eles, pai e filha, quem vai dar carona à amiga até o aeroporto. A partida para todos parece ser a melhor saída. No final, a van cruzando a ponte com um lindo pôr do sol acenando não deixa de ser um sinal de esperança para esses três desajustados.

Ah, sim, e se alguém descobrir o que significa esse título estranho me conta, tá?

* Este texto foi escrito ao som de: Meus caros amigos (Chico Buarque – 1976)

Olhos nos olhos

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