Dashiell Hammett e a Continental Op.

Antes de imortalizar suas histórias policiais o escritor também brincou de detetive...

Antes de imortalizar suas histórias policiais o escritor também brincou de detetive…

Elementar, meu caro leitor, mas seja você fanático ou não pelo fleumático detetive, Sherlock Holmes, criação de Arthur Conan Doyle, o fato é que Sam Spade, o personagem da mesma estirpe inventado por Dashiell Hammett (1894 – 1961), é um dos símbolos da moderna literatura policial. Mas bem antes de Humphrey Bogart dar corpo e charme ao policial nos anos 40, na elegante adaptação cinematográfica de John Houston, um sujeito sem nome baixinho, meio careca, gordo e suarento, cujo único endereço parecia ser a Continental Detetive Agency de São Francisco, onde trabalhava, dava os primeiros passos para imortalizar o gênero.

Publicadas na revista Black mask, suas histórias eram marcadas por estilo ríspido, direto, com ritmo acelerado e diálogos contundentes, sempre confrontando ou em contato com tipos rudes, calejados e decididos. Também pudera, porque o ambiente em que eles viviam era de meter medo. As ruas agitadas das grandes metrópoles, onde se escondia o submundo do crime nos da Lei Seca, das quadrilhas organizadas e assassinatos brutais. É nesse mundo urbano e fatal, fraudulento e ganancioso que Dashiell Hammett faz seu detetive sem passado e, aparentemente sem alma, circular. Ah, sim, e que conste nos autos. Antes de se aventurar pela literatura Hammett, que chegou a ser roteirista de prestígio em Hollywood, também brincou de detetive por aí. Sorte nossa que não levou nenhum balaço.

“Foi com ele que Hammett pôs a literatura de mistério para ferver tirando daquela água morna dos detetives cerebrais e meio frescos”, escreve Ruy Castro na apresentação do livro de contos da Companhia das Letras que estou lendo. “Hammett vestiu um trench coat em seu detetive, calçou-lhe galochas, enfiou-lhe um chapéu na cabeça, armou-o com um 38 e o obrigou a sair de casa, mesmo que estivesse chovendo”, ironiza o jornalista.

Nessa primeira história que estou lendo, nosso detetive anônimo tenta desvendar o assassinato de um homem rico, não milionário, que estava prestes a se casar com uma bela jovem. Detalhe importante, o testamento do velho não agradava o único herdeiro que deixou. A suspeita também recai sobre o irmão da garota que vi com bons olhos a diferença de idade entre os pombinhos. Quem será o criminoso dessa primeira trama recheada de mistério e situações de risco?

“A partir de amanhã de manhã passaremos nosso tempo caçando o rival de Gantvoort à pata daquela gatinha”, diz enigmático nosso Sherlock Holmes americano.

* Este texto foi escrito ao som de: Grievous angels (Gram Parsons – 1974)

Grievous Parsons

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