Rocco e suas irmãos (1960)

Alain Deloin, num de seus primeiros papeis de destaque, vive um pugilista ingênuo

Alain Deloin, num de seus primeiros papeis de destaque, vive um pugilista ingênuo

Rocco e seus irmãos (1960) talvez seja o filme mais importante da carreira de Luchino Visconti e, se não for, tem o mérito, entre outras coisas, de ter exibido o belo ator Alain Delon como protagonista num de seus primeiros papeis de peso. Mas sabemos que essa produção com jeitão neorrealista é muito mais do que isso.

É a história de cinco irmãos – como os cinco dedos da mão – e uma mãe (Katina Paxinou) que fogem das dificuldades do interior sulista para o norte em desenvolvimento, no caso a cidade de Milão. Eles estão em busca de uma nova perspectiva, mas ela, como uma autêntica mãe italiana, ou seja, exagerada e protetora, vai lutar para que os seus bambinis não se deixem corromper, mantendo a integridade familiar.  O título do filme foi inspirado no livro José e seus irmãos, do escritor alemão Thomas Mann, uma das obsessões do cineasta italiano.

Marcado por forte pegada social, a trama conta a trajetória confusa e cheia de percalços de cada um deles. Simone (Renato Salvatori), o mais rebelde é logo identificado como a ovelha da família. Sobretudo depois de se envolver com a prostituta Nadia (Annie Giradot). Rocco, com seu ar ingênuo e puro, vai se transformar em herói de todos ao calçar as luvas e, literalmente, lutar pela vida. O ponto alto dessa a relação será o clima de Caim e Abel vivido pelos dois. E tudo por conta de um rabo de saia. Nadia.

Com certeza Rocco e seus irmãos é um trabalho menos operísticos do que obras suntuosas como O leopardo (1963) e Ludwig (1973). A premissa social do enredo, passado 55 anos depois, infelizmente é atual e universal. Que é a de pessoas que vivem à margem da sociedade tendo com lidar com a pobreza, a violência e a corrupção.  Mesmo assim, sem perder a dignidade e o sonho, como mostra a fala triste do correto Ciro (Max Cartier), um dos cinco dedos dessa família.

* Este texto foi escrito ao som de: Dois (Legião Urbana – 1986)

Dois - Legião Urbana!

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