Viver é fácil como os olhos fechados (2013)

No filme Javier Cámara é um professor de inglês que sonha em conhecer John Lennon

No filme Javier Cámara é um professor de inglês que sonha em conhecer John Lennon

Canções salvam vidas. E os Beatles provaram isso. Os Beatles e uma infinidade de artistas e é sobre essa certeza que fala a comédia dramática espanhola Viver é fácil. Aliás, o título é uma brincadeira com uma das músicas mais famosas do fab four e prova que o diretor David Trueba, além de bom contador de histórias, é também beatlemaníaco. E dos doentes.

Madrid, 1966. Antonio (Javier Cámara)) é um professor de inglês que sonha em conhecer os integrantes da banda de maior sucesso no mundo. Um sonho que compartilha com o resto da humanidade. Mas a sorte lhe sorri como um facho de luz quando Lennon, cansado das turnês, decide dar um stop na carreira e bancar o ator no interior da Espanha. Ele é um dos destaques do elenco da comédia, Como ganhei a guerra, de Richard Lester, o mesmo cineasta que dirigiu os meninos de Liverpool em A hard’s days night (1964) e Help! (1965).

“No meu carro se respeita os Beatles”, bronqueia ele com Juanjo (Framcesc Colomer), um jovem que fugiu de casa e procura um novo rumo na estrada.

Ele é um adolescente desajustado em casa em conflito com um pai autoritário. Pior, assim com a bela Belén (Natalia de Molina), também passageira nessa carona delirante, sofre com a opressão do regime do coronel Franco, há décadas no comando do país com mão de ferro. “Não é pelo cabelo. É por tudo”, lamenta ele com a nova amiga. “Nesse país há muita gente com medo”, filosofa Antonio, sem perder o foco. Ou seja, conhecer Lennon.

Simples, comovente sem ser piegas e engraçado na medida certa dos dramas que cercam cada personagem, Viver é fácil é do tipo de filme que ganha a alma do espectador pela sinceridade com que expõe angústias e expectativas universais. Temas como a perda da inocência, o rito de passagem, o medo de encarar os desafios e os próprios medos, a busca pela liberdade, enfim, o ímpeto de não desistir dos sonhos por mais ridículos que eles sejam. E só porque a vida é “alegre e melancólica”, como ensina o protagonista, um loser bonachão solitário com um coração enorme que mal cabe no peito.

John Lennon é quem tinha razão. “Viver é fácil/Com os olho fechados/Tudo o que se ver são mal-entendidos”, imortalizou o beatle em Strawberry Fields Forever.

* Este texto foi escrito ao som de: Magical Mistery Tour (The Beatles – 1967)

Magical Mistery Tour

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