Kraftwerk – Publikation

David Bowie, fã da banda alemã em Berlim, nos anos 70...

David Bowie, fã da banda alemã de Krautrock, em Berlim, nos anos 70…

Paris. Anos 70. Depois de se apresentar pela capital francesa, David Bowie e sua corte fecham o nightclub L’Ange Bleu, badalada casa noturna localizada na Champs-Elysées, para mais uma festa privada daquelas. Acompanhado do amigo de farra e palco Iggy Pop – o eterno Stooge -, se esbalda. De repente, se deixa deslumbrar com a chegada de dois convidados. Eram Ralf Hütter e Florian Schneider, integrantes e fundadores da banda alemã de krautrock, Kraftwerk, que foram recebidos por todos no ambiente com um aplauso de cinco minutos em pé. Iggy mal conseguia conter a adoração pela dupla e Bowie se mostrava extasiado.

“Veja como eles são fantásticos”, dizia empolgado o camaleão do rock.

O episódio ilustra o tamanho do prestigio – apesar do status Cult que envergava -, da banda alemã nos anos 70 e Bowie seria um dos primeiros artistas de respeito na cena musical vigente a prestar atenção no som robótico dos caras. A ponto de se deixar influenciar de maneira sintomática, como mostra o álbum de 1977, Low. Mas não apenas a música era notada pelos artistas de vanguarda da época, também a estética apurada da banda e todo um conceito comportamental velado que existia por trás da figura mecânica dos quatros integrantes.

“Nós o conhecemos quando ele tocou em Düsseldorf, em uma de suas primeiras turnês europeias. Ele viajava de Mercedes, e a única coisa que escutou todo o tempo foi Autobahn”, lembraria anos mais tarde Ralf, em depoimento a David Buckley, autor de Kraftwerk – Publikation, biografia da banda lançada recentemente no Brasil pela Seoman.

O responsável por todo esse alvoroço e respeito foi Autobahn, quarto álbum do Kraftwerk lançado em 1974, um divisor de águas na carreira dos meninos de Düsseldorf, o Sgt. Pepper deles, responsável, talvez, por internacionalizar o Krautrock. “Em última análise, o que Autobahn fez foi estabelecer uma separação entre o Kraftwerk e as outras bandas alemãs”, resume o autor. “Para muitos é o primeiro disco a refletir de fato o som do Kraftwerk como ele é hoje mundialmente reconhecido”, continua Buckley.

O clima viajadão da faixa-título que assimila o orgulho alemão por máquinas velozes, além de contagiante sensação de movimento, tempo e espaço faz com que entremos num carro rumo a uma autoestrada, como elucida o título alemão, e correr o mundo. O ritmo das palavras que abre a canção: Wir fahr’n, fahr’n, fahr’n auf der Autobahn – Nós rodamosm rodamos, rodamos pela autoestrada, é chupado do hit dos Beach Boys de 1966, Barbara Ann. “O Kraftwerk estava criando o equivalente alemão ocidental à ‘música de estrada’ californiana”, registra o autor.

Era o jeito alemão de ver, sentir uma vida com sol.

* Este texto foi escrito ao som de: Neu! (Neu – 1975)

Neu

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