Um amor a cada esquina (2014)

Bogdanovich quebra jejum de filmes de ficção em bom estilo...

Cineasta Peter Bogdanovich quebra jejum de filmes de ficção em bom estilo…

Peter Bogdanovich é um dos grandes nomes da chamada fase “Nova Hollywood”, que teve início em 1969 com Easy Rider, além de ser um dos meus cineastas preferidos. Daí certa indignação da minha parte por um de seus filmes mais recente, Um amor a cada esquina (2014), em cartaz no Libert Mall, não ter tido a divulgação merecida. Whatever, encabeçado pela superestimada Jennifer Aniston e Owen Wilson, o filme é uma daquelas comédias dramáticas de erros e acertos inteligentes e divertidas como há pouco eu não via no cinema. A pegada é Woody Allen, e pode-se dizer que Um amor a cada esquina é Peter Bogdanovich tentando ser o cineasta nova-iorquino. Sorte nossa.

O cenário, claro, Nova Iorque. É ali que vive a prestigiada atriz, Isabella Patterson (Imogen Poots), que conta como, há quatro anos, era uma jovem prostituta que sonhava largar a vida fácil para ser estrela dos palcos e do cinema. Tudo aconteceu num minuto nova-iorquino, ou seja, ela conheceu um jovem ator de teatro (Owen Wilson) que, numa noite de prazer, lhe oferece U$ 30 mil dólares para que ela não se prostitua mais.

“Acho que faço o tipo romântico”, desconversa.

Acontece que Arnold faz uso dessa estratégica romântica sobre dá nozes para esquilos e vice-versa com frequência e casos do passado vão tumultuar seu presente, irritando a esposa e confundindo os colegas da nova peça que tenta dirigir. Sobretudo porque a mocinha que acabou de ganhar o papel principal da montagem é o seu último caso. Pronto, está armado o circo onde encontros e desencontros no melhor estilo das comédias malucas dos anos 30 e 40, as screwball comedies, colocam o tempo todo personagens em situações embaraçosas. A sequência do restaurante é impagável, não tem como não rachar de rir da passagem do motorista de táxi temperamental. “Acho que ele não suportou nossa tensão”, ironiza Arnold.

Conexões inteligentes com clássicos como Bonequinha de luxo – com a eterna Audrey Hepburn -, um roteiro bem amarrado e atuações afinadíssimas de todo o elenco faz dessa trama divertida deliciosa até o último rolo. E quando digo até o último rolo é até o último rolo mesmo. Fã de Alfred Hitchcock, Bogdanovich, que não filmava uma ficção desde 2001, dar o ar de sua graça numa rápida sequência. Só queria saber qual é aquele filme preto e branco que aparece no final.

* Este texto foi escrito ao som de: Trans-Europe Express (Kraftwerk – 1977)

Trans-Europe Express

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