O invasor (2002)

No filme Paulo Miklos é um sujeito da periferia que invade a mordomia da classe média

No filme Paulo Miklos é um sujeito da periferia que invade a mordomia da classe média

Um dos filmes marcos da retomada, O invasor (2002) promoveu talvez uma das mais bem sucedidas parcerias do recente cinema nacional. A do cineasta Beto Brant com o jornalista, escritor e roteirista Marçal Aquino. Vencedor de oito Candangos no Festival de Brasilia traz a história de homens sérios da alta sociedade paulista que se deixam corromper na vida pela ganância, luxúria, sede de poder, pelo dinheiro fácil. Nada que não seja comum nos dias de hoje no Brasil de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha. O que faz da fita mais atual do que nunca, infelizmente.

Ivan (Marco Ricca) e Giba (Alexandre Borges) são dois vértices de uma sociedade numa empreiteira que está prestes a fechar negócio milionário com o Governo Federal. Acontece que a terceira parte desse triângulo, o sócio majoritário, é um estorvo para a empreitada e tem que sair fora da jogada. E quando entra em cena Anísio (Paulo Miklos), a alma do filme. Enfim, o invasor do título.

Ele é contratado para matar o sujeito, faz o prometido, mas folgado e sem noção que é, quer se envolver ainda mais com a rotina dos contratantes. Ou seja, passa a ser um estorvo para aqueles que querem se livrar de um peso. “Vou marcar pelos quatro cantos, não vou dar trela”, avisa Anísio, sugerindo fazer a segurança do local. “Tô gostando, não tem conta bancária que me tira daqui”, conclui, avisando que não vai largar o osso.

Direto, cru e contundente, o filme aborda, entre outros temas, o velado embate entre classes sociais. Quando o morro sobre o asfalto, incomoda e o tempo fecha. “Eu não faço mais, agora eu mando fazer”, diz Anísio, mostrando quem dá as ordens.

O texto afiado e sem rodeios de Marçal Aquino é claro ao anunciar que a humanidade está perdida porque, no conceito do autor/roteirista, ninguém presta, é cobra comendo cobra. “Bem-vindo ao lado podre da vida”, ironiza Giba ao sócio Ivan, quando este se mostra arrependido. “Não pense que você não está sujando as mãos só porque outro cara está fazendo o serviço”, faz o alerta.

Além do Titã Paulo Miklos, há outro representante virtual da banda em cena, a atriz Malu Mader, a mulher do guitarrista Tony Bellotto. E por falar em música, a trilha sonora de O invasor é toda norteada pelo som que vem da periferia, do rap Sabotage (que faz uma ponta na fita), passando pelo Pavilhão 9. Ah, sim, e o filme foi o único em que vi que a atriz Mariana Ximenes trabalha bem.

* Este texto foi escrito ao som de: Here come the warm jets (Brian Eno – 1974)

Brian Eno

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