Dezenove anos sem Renato Russo!

As letras do artista estão carbonizadas no DNA e na alma das pessoas ad eternum...

As letras do artista estão carbonizadas no DNA e na alma das pessoas ad eternum…

Há dezenove anos morria Renato Russo e não me esqueço do comentário de uma tia preconceituosa, que recebeu a notícia com disfarçada alegria, por causa da homossexualidade do ídolo do rock brasileiro. Pena dela porque ele será eterno e ela, até hoje, ninguém sabe quem é. Nem mesmo a própria cretina. Mas eu sei. Ela é uma idiota! Enfim… As canções escritas pelo líder da Legião Urbana, a mais bem sucedida banda nacional de todos os tempos, estão carbonizadas no DNA e na alma das pessoas ad eternum porque ele, com uma sinceridade brutal, constrangedora e suicida, conseguia projetar em suas letras os anseios, tristezas, angústias, desesperos e frustrações de toda uma geração. Está tudo lá.

“Eu quis o perigo e até sangrei sozinho/Entenda, assim pude trazer você de volta pra mim”, cantou ele em “Índios”, numa canção que debochava da Xuxa. “Há tempos são os jovens que adoecem”, se esgoelava na faixa de abertura de As quatro estações, meu disco favorito da minha banda de rock nacional predileta.

Cansei de me ver nos versos de faixas marcantes como Índios, Eu sei, Pais e Filhos, Vento no litoral, Vinte e nove, Natália, Uma outra estação e tantas outras. E olhando no retrovisor do tempo, me descabelo porque como o Renato Russo, com seu desespero James Dean, com sua lucidez atormentada e ingenuidade kamikaze, faz falta. Angústia essa que só aumenta porque, olhando ao redor, eu não consigo enxergar no cenário atual um artista com a mesma verve, a mesma entrega passional e sinceridade emocional do que ele. Hoje é, citando o título de um de seus sucessos, sempre “mais do mesmo”, quando nem isso. Ou seja, nada.

Renato Russo não era uma pessoa fácil de lidar. Dizem que de uma arrogância e chatice ululantes. De inteligência emocional descontrolada. Mas talvez porque ele se sentisse deslocado diante de seus pares ou à frente de seu tempo. Daí o desconforto, o desencontro, a solidão no meio da multidão. “(…) Ando em círculo/Me equilibro entre dias e noites”, desabafa em A montanha mágica, uma das mais belas canções já escritas sobre o uso de drogas.

Ele tinha razão quando cantou: “É tão estranho, os bons morrem jovens e quando me sinto por baixo e triste vou buscar conforto, paradoxalmente, nas canções da Legião Urbana, nas letras confessionais do Renato Russo. O oráculo da minha melancolia desconcertante.

* Este texto foi escrito ao som de: V (Legião Urbana – 1992)

Legião V

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