Discoteca Básica (7) – Definitely maybe (Oasis)

Por que toda vez que eu escuto Oasis tenho vontade de ficar bêbado?

Por que toda vez que eu escuto Oasis tenho vontade de ficar bêbado?

Se você não gosta do Oasis só lamento porque os caras salvaram minha vida. A primeira vez que escutei uma música dos irmãos Gallagher – acho que do (What’s the story) , simplesmente entortei a cabeça, ficando com vontade de chutar o pau da barraca e largar tudo, montar uma banda e mandar todo mundo à merda. Ouvindo Oasis, descobrir que ser arrogante e sincero era um estilo de vida perigoso, ousado e suicida, mas bem mais prazeroso. E como dá vontade de ficar bêbado quando ouço os meninos de Manchester, com uma irresponsável coragem de encarar as agruras da vida e se sentir ainda rei no final.

Todas essas sensações perpassam minha cabeça agora que escuto Definitely maybe, talvez um dos discos de estreias mais impactantes dos últimos anos. Pelo menos ostentou durante bom tempo o recorde de álbum de estreia mais vendido na história do Reino Unido. A capa, simples, mas icônica, traz uma imagem profética. A do guitarrista e compositor Noel Gallagher segurando um globo terrestre na palma da mão. E foi justamente isso que eles conseguiram nos anos seguinte, ou seja, dominar o mundo.

A fórmula musical é desconcertante, mas contagiante. Letras diretas, sem rodeios, vocais no talo e uma parede infinita de riffsdistorcidos crus e viciantes. O resultado final é um som nostálgico que remete ao que há de melhor do pop britânico dos anos 60. De Beatles a Stones. The Who e The Kinks.

“Essa noite eu sou uma estrela do rock ‘n’ roll”, já anunciava a faixa de abertura.

A nervosa Cigarettes & Alcohol, com suas guitarras cortantes chupadas do Marc Bolan é uma prova de que se pode copiar os ídolos e ficar ainda melhor. “Vale à pena se irritar/Para achar um trabalho quando não há nenhum trabalho digno?”, cuspe Noel, radiografando a desconfortante realidade de sua geração.

O contexto em que esse álbum surge naquele agosto de 1994 não poderia ser mais sintomático. Com o suicídio de Kurt Cobain e o declínio do grunge, a cena roqueira mundial se sentia órfã, abandonada e carente. Mas os irmãos Gallagher, com suas sobrancelhas peludas e atitudes hooligans vieram do lado mais escuro de Manchester para salvar o rock. E nada de letras deprimidas e rompantes depressivos.

“Talvez eu apenas queira voar/Eu quero viver e não quero morrer/Talvez eu apenas queira respirar/(…) Você e eu iremos viver para sempre”, canta Liam na alto astral, Live forever.

Bring it on down tem qualquer coisa de punk, com sua bateria selvagem e Up in the sky parece ser uma deliciosa viagem à infância, quando éramos crianças e sonhávamos em escalar o céu. “Hey, você! Em cima, no céu/Aprendendo a voar/Me diga a que altura/Você acha que irá”, desafia. Definitely maybe reserva ainda dois momentos mágicos sacadas da cartola genila de Noel Gallagher:Slide away, clássica baladona de amor que serviria de prisma para outros sucessos do gênero, e a doce e sarcástica, Married withchildren.

* Este texto foi escrito ao som de: Definitely maybe (Oasis – 1994)

Oasis - Definitely maybe

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s