A hora mágica (1998)

Raul Gazolla é o ator de rádio novela metido em trama de suspense

Raul Gazolla é o ator de rádio novela metido em trama de suspense

Nunca li uma linha de Julio Cortázar. Ainda não. Por isso que quando vi o título desse filme do Guilherme de Almeida Prado que nunca tinha assistido, pensei que tivesse alguma relação como Gabriel García Marques. Não tem. É baseado no conto Cambio de luces, do escritor belga-argentino e narra a história de amor entre um ator de rádio novela e uma fã. Ele é Tito Balcárcel (Raul Gazolla). Ela é Lúcia (Júlia Lemmertz). Juntos, vão viver uma tórrida paixão em que suas vidas se confundem com a trama em que é conta via ondas sonoras. Tudo em meados dos anos 50, quando a televisão chega ao país para desbancar o rádio.

“O futuro, meu caro! O futuro!”, diz o dono da rádio, explicando o que é a TV.

Auto referencial, metalinguístico até o talo, A hora mágica é o típico filme de autor que usa o cinema para falar dele próprio, tendo como fio condutor a investigação narrativa, a experimentação criativa, os signos do gênero. Enfim, um filme de Guilherme de Almeida Prado e a pergunta que faço, de si para si, é porque um cineasta tão genial como esse paulistano se encontra hoje esquecido?

Há quem diga que o filme é frio e que não tem o mesmo vigor de suas produções anteriores, os sucessos, A dama do Cine Shanghai (1987) e Perfume de Gardênia (1992). Pode até ser, mas o fato é que Almeida Prado sabe contar uma história e faz bem uso de uma mise-en-scène visual deslumbrante e charmosa que encanta e envolve o espectador.

E o público em seus filmes é sempre jogado numa ardilosa teia de fantasia e mistério, num jogo inteligente e instigante entre fantasia e realidade, verdade e mentira, desvendando os truques do cinema, o faz de conta de uma rádio novela.

Além de Gazolla e Júlia Lemmertz, estão no elenco ainda, entre outros, a bela Maitê Proença – eterna musa do diretor -, e o veterano José Lewgoy, em vários papéis dentro da trama. Uma bela homenagem a quem tanto contribuiu ao cinema brasileiro.

* Este texto foi escrito ao som de: Fina estampa (Caetano Veloso – 1994)

Fina estampa

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