Kraftwerk – Publikation

Os meninos de Düsseldorf, Florian, Ralf, Karl e Wolfgang, no auge da carreira...

Os meninos de Düsseldorf, Florian, Ralf, Karl e Wolfgang, no auge da carreira…

Confesso que nunca imaginei que fosse um dia virar, assim, tanto fã da banda alemã Kraftwerk. Por preconceito e falta de conhecimento, tinha certa resistência ao grupo por associar o som que eles faziam com dance music, que eu odeio. Esse bate-estaca repetitivo e chato, completamente destituído de verdadeira emoção musical. Mas, embora as duas coisas tenham alguma relação, na essência há uma grande diferença. E quem entende do assunto sabe do que estou falando. Meu amigo Alex Vidigal, quem me salvou desse limbo apocalíptico de dúvida, é a prova viva desse raciocínio.

Na minha cabeça limitada, não entrava o fato de algo tão sensorial e sensível, produzido por máquinas ou mecanismos eletrônicos e ainda mais por um povo conhecido pelo estilo duro, o alemão, pudesse soar tão tocante. Mas daí me lembrei de Bach, Chopin, Mozart, Beethoven, Richard Wagner, etc, e as coisas começarem a clarear. O ponto de partida para que esse gelo, barreira, enfim, preconceito, pudesse ser quebrado veio com o álbum Low, de David Bowie, o camaleão da experimentação. Então um dia eu escutei Radio-Activity (1975), do Kraftwerk, e o mundo das ondas eletromagnéticas musicais fizeram sentido para mim.

Com a leitura da biografia Kraftwerk – Publikation, do inglês David Buckley, minha paixão pelo Kraftwerk agora é oficial e sacramentada. Lançada recentemente no Brasil pela editora Seoman, o livro é leitura obrigatória não apenas para quem é fã do Kraftwerk, mas da boa música. Como o subtítulo elucida, é a história sociocultural dos precursores da música eletrônica feita para massas.

Mas isso não quer dizer que eles foram pioneiros no ramo. O que o delicioso livro de Buckley mostra é, como o sucesso escandaloso, sobretudo na América, do quarto álbum do grupo, Autobahn (1974), ajudou a popularizar o krautrock, influenciando artistas consagrados como David Bowie, Iggy Pop e Brian Eno, além de algumas bandas de rock progressivo. “Num dia ensolarado do começo do verão de 1975, durante a pausa do almoço da escola, eu estava no minúsculo banheiro do andar de cima quando sintonizei o rádio na contagem regressiva do Top 30”, escreve o autor na apresentação. “Sentado no vaso sanitário, eu ouvia, digamos, o futuro”, arremata.

Essa é a história dos meninos de Düsseldorf, Karl Bastos, Ralf Hütter, Wolfgang Flür e Florian Schneider. É a história do Kraftwerk. E toda vez que vejo um cone de trânsito ou filmes de ficção científica agora me lembro da banda. Típico. Aguarde cenas de um novo capítulo.

* Este texto foi escrito ao som de: Radio-Activity (Kraftwerk – 1975)

Radio-activity

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