O preço da fama (2014)

Os usurpadores do descanso de Charlie Chaplin em ação...

Os usurpadores do descanso de Charlie Chaplin em ação digna de um filme do mestre

Quando o grande astro do cinema John Wayne morreu, em junho de 1979, a família fez segredo sobre sua morte, velório e enterro. Não queria que acontecesse com o cadáver do grande caubói de Hollywood, o mesmo com o corpo do gênio do humor, Charlie Chaplin, que sequestrado um ano antes na Suíça. A comédia de humor negro, O preço da fama, de Xavier Beauvois, em cartaz no Libert Mall, fala sobre este estranho e bizarro episódio.

E como a figura do grande palhaço do cinema está no cerne da trama, a narrativa tem, digamos assim, premissa chaplinesca, com os dois ladrões retratados como dois “Carlitos” derrotado da humanidade. Eles são Osman (Roschdy Zem) e Eddy (Benoit Poelvoorde). O primeiro, um mecânico pai de família que não sabe como pagar o tratamento da mulher (Nadine labaki) de $ 50 mil francos. O segundo, recém saído da cadeia, um sujeito sem eira nem beira que tenta nova vida, mesmo que o horizonte não lhe cuspa uma luz no fim do túnel.

Mas naquele natal de 1977 eles assistem pela TV a notícia da morte de Chaplin e entram o ano de 1978 urdindo um plano ardil: “E se sequestrássemos o caixão de Carlitos?”, confabulam.

No início, Osman refuta a ideia relutantemente. Eddy argumenta que os milhões do resgate pode salvar a vida da mulher. E lá estão eles na calada da noite, numa cena entre o patético e o hilário, usurpando o descanso dos mortos. De posse do caixão, se atrapalham ao impor as condições e tudo, claro, dá errado, já que a polícia suíça é eficiente e não perde tempo. O secretário particular de Charlie Chaplin (Peter Coyote, numa atuação vampiresca ótima), também não.

Na vida real, os larápios desse caso bizarro eram um romeno e um polonês. No filme de Beauvois, que tomou algumas liberdades, os ladrões de tumba são um belga e um franco-argelino. Também tem aquela licença poética do circo em que a bela filha do Marcello, Chiara Mastroianni, contrata Eddy para ser um palhaço-mímico substituto. Mágica a cena do camelo transitando com elegância por uma praça, hilária a do chimpanzé perdido.

No final, a soturna e oportuna citação de Hamlet, aquela em que o personagem-título encontra-se com a caveira do bobo da corte. Mostrando que, estrela de cinema ou não. Bandido ou mocinho, vamos todos para o mesmo lugar.

* Este texto foi escrito ao som de: She hangs brightly (Mazzy Star – 1994)

Mazzy star

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