A vaia da hipocrisia no Cine Brasília

Cláudio Assis, o cavaleiro do caos vence o Festival de Brasília mais uma vez...

Cláudio Assis, o cavaleiro do caos vence o Festival de Brasília mais uma vez…

O cineasta pernambucano Cláudio Assis foi crucificado ao longo da 48ª edição do Festival de Brasília por um único e exclusivo motivo: ele é autêntico. E eu sei, na carne, muito bem o que é isso. Não, não, meu caro, todo esse clima caótico, confuso e constrangedor em que o diretor de Big Jato se viu metido até os últimos minutos não tem nada a ver com o fato dele ser machista ou o episódio Anna Muylaert. Até porque, machista, todos nós somos, em maior ou menor grau, mesmo que inconsciente, mas o fato é que paira no ar uma hipocrisia generalizada e falsa moralista em torno da situação.

“Posso ser bêbado, louco, mas mau-caráter eu não sou”, desabafou o diretor, visivelmente tresloucado, no palco dessa que é a maior vitrina do cinema brasileiro.

Quem acompanha a trajetória do artista e conhece os seus filmes sabe do que estou falando. Uma pena eu não ter visto Big jato, talvez o melhor filme dessa fraca 48ª edição do festival, mas o tempo mais uma vez mostrou que é o senhor da justiça e o polêmico diretor saiu da mostra com cinco prêmios debaixo do braço. Inclusive o de melhor filme e só não abiscoitou o de melhor diretor provavelmente por conta do imbróglio em que foi envolvido. Faltou coragem ao júri do festival.

Outras surpresas do Festival. Os sete candangos para o drama paranaense, Para a minha amada morta, que é assim, digamos, uma espécie de conto bíblico urbano sobre o adultério, com boas atuações e história surpreendente. Mas me diga uma coisa, porque a premissa machista da narrativa do filme também não foi vaiada? Porque a hipocrisia das pessoas à deixam cega. Só por isso.

Bem, dirigido por Mauro Giuntini, Até que a casa caia é uma comédia dramática sem sal, nem sabor que mostra os conflitos de um casal separado que vivem embaixo do mesmo teto. É por essa e por outras que, na dúvida, fico com as grosserias e autenticidade de Cláudio Assis e seu cinema cheio de verdade.

E por falar em vaia, hipocrisia e polêmica, a deputada distrital Celina Leão protagonizou um dos maiores vexames da história do festival, sendo vaiada esmagadoramente pelo público, na hora de entregar o Prêmio Câmara Legislativa de melhor filme da Mostra Brasília a Santoro – O homem e a sua música. Aliás, porque tenho a impressão de que o filme O outro lado do paraíso, de André Ristum, exibido na mostra Brasília, parece ser uma produção melhor do que muitos dos filmes exibidos na mostra competitiva do Festival de Brasília?

* Este texto foi escrito ao som de: Desperado (The Eagles – 1973)

Desperado

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