Prova de coragem (2015)

A mostra competitiva do Festival de Cinema de Brasília terminou do jeito que começou: fraca

A mostra competitiva do Festival de Cinema de Brasília terminou do jeito que começou: fraca

Antes de começar o texto um desabafo. Nos últimos anos tenho perdido as melhores sessões do Festival de Cinema de Brasília. É fato. E digo isso me referindo à exibição do filme Big jato, de Cláudio Assis, no último sábado (19). Um barraco daqueles, no velho e bom estilo do diretor pernambucano. Dito isso, o que tenho a dizer de Prova de coragem, destaque de ontem (21) da mostra competitiva da mostra é o seguinte. O sujeito acha que porque está ancorado num texto de um escritor de respeito – no caso o gaúcho Daniel Galera – acha que vai salvar a lavoura. O tiro pode sair pela culatra.

Dirigido por Roberto Gervitz, o filme é de uma chatice ululante. E um bom termômetro para a questão é que boa parte do público ficou fuçando o celular durante a projeção da fita. Eu mesmo me aborreci com esse capítulo da novela das oito exibida bem ali, na telona mais charmosa do cinema brasileiro, é fiquei ganhando tempo atualizando as notícias do face e whatsap. Fazer o quê?

Na trama, Hermano (Armando Babaioff) é um bem-sucedido médico que passa a viver uma crise no casamento com a chegada de um filho indesejado. Para ele, ser pai é uma prova de coragem tão desafiadora como escalar montanhas, um de seus hobbies obsessivos. E para fugir dessa realidade ele encara com o amigo subir um pico na Terra do Fogo. Já a mulher Adri (Mariana Ximenes), uma artista plástica buscando um lugar ao sol, pensa diferente. A chegada do bebê coincide justamente com o momento em que ela pode se realizar como artista.

A proposta da trama de costurar as realizações pessoais do casal com as frustrações, medos e ansiedades que eles sentem no dia a dia pode até ser interessante, mas o diretor perde a mão ao dar uma pegada folhetinesca ao enredo. Será que tem a ver com o fato da Globo Filmes ser co-produtora do projeto?

Bem, antes da sessão Gervitz afagou o ego do público dizendo que Brasília é a capital do cinema e que tem espectadores participativos e autênticos. Balela, clichê vagabundo. Minha teoria é de que o público do festival de cinema de Brasília é mal educado. Só isso.

* Este texto foi escrito ao som de: Stranded (Roxy Music – 1973)

Stranded

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