O pequeno príncipe (1974)

A melancolia lírica dessa história ainda nos faz acreditar que a vida vale à pena

A melancolia lírica dessa história ainda nos faz acreditar que a vida vale à pena

A primeira escola que estudei se chamava O pequeno Príncipe. Ficava bem ali em Taguatinga Sul e me lembro até hoje do uniforme com o desenho do marcante personagem e sua espada estampados em traços vermelho. É um detalhe que sempre me vem à cabeça quando vejo alguma coisa associada ao famoso livro de Antoine de Saint-Exupéry. Bem, ainda não vi a nova versão da história que está passando no cinema, mas já corri pra apresentar para as minhas sobrinhas a clássica adaptação de 1974. Elas claro, não conheciam e adoraram.

E eu me emocionei novamente revendo o filme com elas, tal qual da primeira vez que o vi. A trama é simples, mas de um lirismo narrativo comovente, captando, na essência, o estilo fantasioso desenvolvido pelo autor. E engana-se quem pensa que a obra é direcionada para crianças. Para mim é um livro escrito como se fosse para crianças para cativar adultos. Ou pelo menos o que resta de sensível dentro deles. É a história de um pequeno príncipe que vem do asteroide B-612, diretamente para os nossos corações.

“O essencial é invisível aos olhos”, diz a raposa vivida pelo sempre genial Gene Wilder.

A direção segura do mestre Stanley Donen transforma um enredo cheio de lirismo lúdico em musical poderoso onde as angústias, anseios e desejos de uma criança perdida no meio do deserto confrontam o egoísmo, a burocracia, a ganância e a intolerância humana. “Por que precisamos de fronteiras?”, questiona ingenuamente o pequeno monarca, jogando um triste e obscuro facho de luz diante do atual drama dos refugiados na Europa.

Eis uma das magias de uma obra-prima. O de se manter pertinente ao longo das raias do tempo. A beleza tristonha de O pequeno Príncipe, com seus efeitos visuais encantadores, nos faz acreditar que o sonho vale à pena e de que a fantasia ainda é o melhor lugar para fugirmos diante dessa realidade dura e massacrante.

* Este texto foi escrito ao som de: L. A. Woman (The Doors – 1971)

L A Woman

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