Um filme de cinema (2015)

Vladimir Carvalho homenageado no Festival de Brasília:

Vladimir Carvalho homenageado no Festival de Brasília: “Eu mereço, Brasília!”.

Vou confessar uma coisa pra vocês. Há bastante tempo que não via uma abertura do Festival de Brasília tão emocionante. E tudo por conta do mestre Vladimir Carvalho, homenageado pelos seus 80 anos de vida e 45 deles dedicados a Brasília. A cidade que ele adotou e vice-versa. “Eu mereço, Brasília”, disse sem falsa modéstia. “Engajei na vida dessa cidade”, disse.

Foi a noite dos Carvalho, já que o irmão Walter Carvalho, respeitado diretor de fotografia, exibiu no primeiro dia da mostra, o documentário metalinguístico, Um filme de cinema, um dos trabalhos mais instigantes já realizado sobre o fazer do cinema. “O Walter é sua obra-prima”, comenta um emocionado Vladimir, ao lembrar as palavras de Cláudio Assis (Amarelo manga), sobre o irmão que ajudou a criar.

Um dos mais prestigiados diretores de fotografia do cinema do mundo, Walter Carvalho usou de sua influencia e oportunidade de trabalho, para colher depoimentos de importantes cineastas com quem dividiu os sets.

Dá para ver que o projeto vem de longa data, já que o diretor mostra depoimentos de cineastas ainda nos bastidores dos filmes em que ele fotografou. Basta conferir as locações de obras ainda em gestação como Carandiru, de Hector Babenco, O veneno da madrugada, de Ruy Guerra, e Filme de amor, de Júlio Bressane. Aliás, um dos grandes méritos de Walter Carvalho, entre outros, nessa fita, foi de conseguir fazer o sempre resistente e arredio Bressane se expressar de forma espontânea e maravilhosa.

E olha, dava para fazer um filme só com as reflexões inteligentes, perspicazes, eloquentes e lúcidas desses dois mestres veteranos do cinema brasileiro. E a fita ainda contou com depoimentos instigantes de figuras como a argentina Lucrecia Martel, o polonês Andrzej Wajda, o inglês Ken Loach, os ainda nacionais José Padilha e Karim Aïnouz.

Apesar da edição do documentário tornar a narrativa do documentário enfadonho, da metade para trás, Um filme de cinema é um belo exercício para aqueles que ainda gostam não apenas de bons filmes, mas do estilo daqueles que o fazem tão bem.

* Este texto foi escrito ao som de: Mustang côr de sangue (Marcos Valle – 1969)

Mustang cor de sangue

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