E a crise dos 40 bateu

E quando aquilo que você gosta de fazer não te dá mais prazer?

E quando aquilo que você gosta de fazer não te dá mais prazer?

“Acho que a crise dos 40 chegou e bateu pra valer. E olha que eu nem tenho 40 ainda. Mas não sei explicar que sentimento é este que dança aqui dentro de mim. Só sei que é um vazio imenso, uma angústia brutal, um desespero gritante de Edvard Munch. A ponto de não saber para onde ir, qual rumo seguir. E quando não sabemos para onde ir, meu chapa, qualquer caminho serve, já ensinou a menina Alice. Só que no meu país parece que não há maravilhas. Daí o fato de os dias serem longos e tediosos. De acordar com vontade de não existir. De querer ser Ian Curtis no auge de seus 23 anos e eu já estou quase chegando ao dobro da idade do trágico líder do Joy Division. E se eu ao menos tivesse encontrado aquele estilo de vida que não necessitasse de minha existência… Um pouco de mágica, por favor… Um pouco de mágica aqui dentro de mim é só o que eu quero…

Porque às vezes é assim, uma vontade de chorar e as lágrimas não caem porque parece que elas estão empedradas aqui dentro de mim, como pesados e frios cubos de gelos, junto com a minha insatisfação diante de tudo que me cerca. E é uma vontade de gritar, mas a voz parece inaudível, como se eu estivesse falando do fundo do mar. E o pior é que a única coisa que tenho para me anestesiar, nesses suicide’s days, é um pouco de álcool e canções melancólicas. “Tudo passa, tudo passará”, canta Renato Russo, enquanto teco essas palavras em meu teclado. Será? Bom, para ele nada passou, pelo menos até a sua morte…

…E a morte às vezes pode ser uma fuga…

Há dias que o Sol nasce brilhante dentro de meu peito. E em outros parecem que uma nuvem cinza e triste me persegue incansavelmente. Porque será que só chove em mim? E olha que gosto de dias cinza e melancólicos. A brisa da chuva me conforta e me faz bem. Só que agora é diferente e eu não sei explicar o que é. Sou apenas uma alma desesperada em busca de algo melhor: você!

Mas não posso me dar ao luxo de ser um Charlie Brown, porque há um mundo de imorais indecências sociais lá fora e eu não sou o único loser aqui, mas whatever… Como todo ser humano, sou egoísta, só estou olhando para o meu próprio umbigo! A única imagem que quero ver refletida nesse espelho quebrado e molambento e a minha, nem que ela seja destorcida e deformada.

Bem, o budismo nos ensina que, assim como na natureza, passamos por quatro estações diferentes: formação, existência, declínio e vazio, ou seja, primavera, verão, outono e inverno. Acho que vago sozinho entre o declínio e o vazio, com a leve impressão de que nunca houve primavera e verão nas minhas estações da vida.

Viver é isso, ter a necessidade de flores no caminho, em nossas vidas, um jardim de esperança no futuro em tudo, mesmo que o futuro e o tudo agora, não represente nada…

* Este texto foi escrito ao som de: V (Legião Urbana – 1991)

Legião Urbana V

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