Como era gostoso o meu francês (1971)

Filme foi baseado em cartas escritas por jesuítas e viajantes europeus...

Filme foi baseado em cartas escritas por jesuítas e viajantes europeus…

Filmes sobre índios podem ser de uma chatice ululante, mas não é o caso de Como era gostoso meu francês (1971), do mestre Nelson Pereira dos Santos. Exibido outro dia no Canal Brasil, a fita conta a história de um aventureiro francês feito refém pelos índios tupinambás nos primórdios do Brasil por sua habilidade em artilharia. Já que essa tribo se encontrava em guerra com os tupiniquins, a presença do estranho estrangeiro veio a calhar. Logo ele vai arrumar uma namorada indígena em seu novo lar e ganhar a confiança do cacique por algum tempo, embora seu desfecho final seja inevitável, o estômago desses selvagens canibais.

Baseado no diário de viagens do alemão Hans Staden, que também virou sopa nas mãos dos índios, Como era gostoso meu francês, rodado em Paraty (RJ), faz uma releitura da conflituosa relação entre europeus e os primitivos da região. A fonte de pesquisa do cineasta foram cartas jesuíticas, narrativas e pinturas de viajantes europeus, além de análises históricas e antropológicas da época. Apesar disso tudo, a trama contada por Nelson Pereira dos Santos flui de forma leve e o que é melhor, nada chata.

Proibido, hipocritamente, pela censura militar por expor a nudez de atores interpretando índios, a fita logo seria liberada para maiores de 18 anos, com a justificativa de que essas doces criaturas selvagens nuas não configuravam pornografia. Mas para que a liberação viesse, o filme foi submetido a uma sessão para bispos da CNBB. Duas freiras que também viram o filme ficaram horrorizadas com o fato de que, a única imoralidade encontrada ali era a de um francês matando o outro.

Daí se sustenta toda a ideia do longa. Ou seja, a de que, embora pintados como demônios da natureza pelos europeus que aqui desembarcaram em suas poderosas caravelas, os únicos selvagens em terra era os próprios invasores.

* Este texto foi escrito ao som de: Waiting for the sun (The Doors – 1968)

Waiting for the sun

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