Grandes astros do cinema – Othon Bastos

O ator no papel glauberiano que o marcaria pela vida inteira...

O ator baiano no papel glauberiano que o marcaria pela vida inteira…

Othon Bastos e Glauber Rocha não se bicaram quando se encontraram pela primeira vez em meados dos anos 50, em Salvador, quando o primeiro estava na capital baiana para dirigir uma companhia de teatro, depois de uma temporada no Rio de Janeiro e em Londres. “Achava ele metido à besta”, me confidenciou o grande ator, durante uma entrevista.

O fato é que, com o tempo os dois se entenderam e a parceria entre os dois em duas pérolas do Cinema Novo Deus e o Diabo na Terra do Sol e O Dragão da maldade contra o Santo Guerreiro -, ajudou a esculpir o sonho do cinema brasileiro nos anos 60.

Nas telonas foram cerca de 70 filmes, mas também emprestou seu talento de ator de teatro para montagens marcantes e também a televisão, onde recentemente subverteu o clichê do papel de mordomo em atuação soberana na novela Império.

Neto de senhores de engenho na pequena, Tucano (BA), Othon Bastos, hoje com 82, não para. Entrou para as artes por acaso. O sonho era servir à aeronáutica, ou aplicar obturações e anestesia numa cadeira de dentista. Mas um dia, aos 17 anos, servindo de “ponto” aos colegas numa paródia de Otelo, teve de substituir um ator em cima da hora (ninguém menos do que Walter Clark, futuro produtor da Rede Globo) e terminou a performance com um convite para fazer teatro.

O jornalista e crítica de cinema Luiz Carlos Merten é quem tem razão, quando diz que Othon Bastos é raro grande ator brasileiro, completo no cinema, teatro e televisão. “Uma força da natureza a serviço da arte da representação”, escreveu certa vez.

Top five – Othon BastosSão Bernardo

São Bernardo (1972) – Não é apenas a melhor atuação de Othon Bastos, mas uma das mais impactantes da história do cinema. O ator conta que chegou ao tom certo do personagem depois de uma conversa sobre política com o diretor Leon Hirszman. “Ele me disse para explorar o lado político de Paulo Honório”, revelou.

Deus e o diabo na Terra do Sol (1964) – Acredite, mas o ator não foi a primeira escolha do cineasta Glauber Rocha, que achava que ele não teria o porte à altura do antagonista da trama, Antônio das Mortes (Maurício do Valle). Como o ator escolhido já tinha compromisso… A interpretação brechtiana dos flashbacks do personagem Corisco foi sugerida pelo ator.

Os Deuses e os Mortos (1970) – E falando em Brecht, não há como não se assustar com a medonha atuação de “O homem”, nesse papel carregado de duplo enigmatismo e introspecção.

O Último Cine Drive-In (2014) – O singelo filme de Iberê Carvalho é uma declaração de amor ao cinema e porque não fazer isso com um dos seus grandes representantes, o ator Othon Bastos, aqui na pele do apaixonado Almeida, um amante do cinema que luta para manter vivo o último Cine Drive-in do país.

O pagador de promessas (1962) – O papel era pequeno, mas despertou atenção, não apenas pelo caráter duvidoso do personagem, um repórter imoral que é capaz de fazer qualquer coisa por um furo, mas muito pela atuação honesta do então jovem ator.

* Este texto foi escrito ao som de: Fire and Water (Free – 1970)

Free - Fire and water

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