Discoteca Básica (5) Roberto Carlos (1972)

O rei não é brega e sim um romântico sofisticado...

O rei não é brega e sim um romântico sofisticado…

As pessoas ficam assustadas quando digo que gosto de Roberto Carlos. Elas olham para mim e dizem, assim, meio que ofendidas? “O quê?! Você, fã de Roberto Carlos?! Corta essa, vai!”. Ao que eu respondo, despencando das nuvens: “Ué, mas qual é o problema?!”. Problema nenhum, né!

O que acontece é que, em geral, as pessoas são desenformadas e preconceituosas sem conhecimento de causa. Por exemplo, dizer que Roberto Carlos é brega é um equívoco ululante. E logo se percebe que o sujeito não escutou o cara direito, com sentimento, com coração. Sim, porque Roberto Carlos não é brega, mas um romântico sofisticado. Diria que sofisticadíssimo, escrevendo, junto com o amigo de fé e irmão camarada, Erasmo Carlos, algumas das mais belas canções de amor do século 20. Eu disse século 20.

Pegamos por base esse disso marcante de 1972, por exemplo. Outro dia mesmo, sofri um daqueles processos remissivos proustianos só de ouvir a faixa Você é linda, que fala, entre outras coisas, da beleza de uma mulher grávida e do seu “sonho” que estar por vir.

“Não sei quem você é/Nem de onde você vem/Só sei que você é tão linda esperando neném”, diz um trecho da canção, que é uma ode à vida.

Veja bem, não tenho o costumo de achar mulher grávida bonita, não. É uma idiossincrasia minha. Mas essa música sensível me fez viajar no tempo e recordar de uma garota com sorriso de anjo que era e é um sonho com um “sonho” na barriga. “Espero que tenha sido com muito amor/E seja quem for há de achar também você tão linda/Esperando neném”, continua cantando o rei.

Ele então cantando a romântica Como vai você, dos irmãos Antônio e Mário Marcos, é um sundae. E o disco ainda conta com A montanha, a faixa religiosa do ano, com uma abordagem inteligente sobre o tema, embalada em arranjo épico, além da freudiana O divã, que fala sobre o acidente que arrancou parte de sua perna.

“Me lembro bem a festa, o apito/E na multidão o grito/O sangue no linho branco/A paz de quem carregava em seus braços quem chorava/(…) Essas recordações me matam”, desabafa.

* Este texto foi escrito ao som de: Roberto Carlos (1972)

Roberto_Carlos_1972

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Um comentário sobre “Discoteca Básica (5) Roberto Carlos (1972)

  1. O Divã é uma canção que, sendo tão pessoal, consegue ir além e tocar o ouvinte que acaba por revirar recordações suas também. É profundíssima e me enche de saudades dos meus irmãos.

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