Só por hoje e para sempre – Diário do recomeço

"Aprendi a viver um dia de cada vez”, o cantor na faixa que empresta o título do livro

“Aprendi a viver um dia de cada vez”, o cantor na faixa que dá título do livro

Pensa numa narrativa pesada. O diário do Renato Russo no tempo em que ele ficou internado 29 dias numa clínica para desintoxicação no Rio de Janeiro, entre abril e maio de 1993. Foram 29 dias de expurgação de fantasmas e demônios, exposições e autorreflexão registrados dia a dia e agora à disposição dos fãs em Só por hoje e para sempre – Diário do recomeço. O título é uma brincadeira com uma das faixas do álbum O descobrimento do Brasil e o Programa dos doze passos, método de recuperação oferecido pela clínica Vila Serena, onde o líder da Legião Urbana ficou internado. Aliás, a experiência rendeu algumas letras marcantes para o álbum lançado seis meses depois de deixar o lugar.

Na narrativa de Renato Russo – que sempre se deu bem com as palavras -, momentos de culpa, medo, raiva, insegurança, incerteza, dúvida, mas também de esperança. O autor de letras confessionais e universais mistura em seus depoimentos cheios de rabiscos, recordações, autoanálise e desabafo. Mas também momentos de esperança. Sim, porque, mais do que tentar se livrar do vício das drogas e do álcool, o roqueiro lutava pela vida. “A heroína me deixava eufórico e satisfeito, e tinha a ilusão de que o meu mundo se tornava perfeito”, confessa em dado momento. “Preciso ter coragem para modificar o que posso e partir para a ação!”, admite.

Em nota, a editora Companhia das Letras mascara a identidade de algumas pessoas citadas por Renato apenas com as iniciais dos nomes, mas para um autêntico fã da Legião Urbana, algumas referências são reconhecíveis, como o “S” de Scott, o namorado norte-americano do cantor. Em outros momentos, a alusão é direta, como os comentários reveladores sobre o Dado Villa-Lobos. “O guitarrista da Legião Urbana é uma das pessoas mais admiráveis que conheci”, declara.

Há um “Q” de caça-níquel nesse projeto, ainda mais vindo de quem vem, mas para os fãs, o livro é um presente e tanto, porque traz no osso, o inferno pessoal de um artista em crise com o mundo e o sistema que o cercam e com a própria vida. “Só por hoje eu não quero mais chorar/Só por hoje eu espero conseguir/Aceitar o que passou e o que virá/Só por hoje vou me lembrar que sou feliz/(…) Aprendi a viver um dia de cada vez”, canta na canção que empresta o título ao livro.

* Este texto foi escrito ao som de: O descobrimento do Brasil (Legião Urbana – 1993)

LU

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