Trash – A esperança vem do lixo (2014)

Produção estrangeira com elenco nacional faz crítica social ao Brasil

Produção estrangeira com elenco nacional faz crítica social ao Brasil

Quando começou pipocar notícias sobre o filme Trash – A esperança vem do lixo (2014), do inglês Stephen Daldry na mídia, nem dei bola. Na verdade desdenhei a fita sumariamente. A ponto de não ter nenhuma informação correta sobre ela. Mas meu irmão que é ligado no Telecine mais pop me alertou para a exibição do filme no último sábado e lá fui eu me desculpar com o projeto que foi rodado no Brasil e conta com elenco 95% brasileiro.

É a história de três crianças faveladas que lutam contra todos e tudo depois de acharem uma carteira num lixão, daí o título e tom de fábula que permeia o roteiro do início ao fim. Eles são Gardo (Eduardo Luís), Raphael (Rickson Tevez) e Rato (Gabriel Weinstein), que ao invés de seguirem o caminho mais fácil, ou seja, o de ficar com a carteira e seguir adiante, mas resolvem desvendar os segredos que escondem por trás de um bilhete estranho e uma chave. A escolha o fará com que eles sejam vítimas de uma caçada humana implacável pelas ruas do Rio de Janeiro, com direito a muita violência policial, políticos corrutos e desigualdade social vigente. Típico.

Bem, baseado em livro de Andy Mulligan, Trash tem trama ambientada num país do Terceiro Mundo não identificada na obra. Antes de optarem pelo Brasil, cogitou-se em rodar o filme na Índia ou Filipinas, mas o diretor Stephen Daldry conhecia o cineasta brasileiro Fernando Meirelles e o resto é história. Isso explica muito da pegada de Cidade de Deus em Trash, o que não deixa de ser irritante, mas não macula a produção por inteiro.

O grande chamariz do filme, no entanto, não são os atores Wagner Moura, Selton Mello (o vilão do enredo), José Dumont, Nelson Xavier e o norte-americano Martin Sheen (na pele de um padre voluntário), mas o formidável trio mirim escolhido em comunidades pobres do Rio de Janeiro. Encaixados dentro de um contexto fantasioso e meio medíocre da reprodução da realidade nacional (vide o espetáculo da favelização com a visão hollywoodiana do lixão), eles humanizam e soltam realmente uma centelha de esperança que alude o título nacional.

Ah, sim, e o final, com alusão aos crimes recentes da CBF e envolvimento de políticos nos empreendimentos das Olimpíadas são perturbadores.

* Este texto foi escrito ao som de: Reggatta De Blanc (The Police – 1979)

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