Joy Division – Unknown pleasures (3)

O produtor Martin Hannett no estúdio com o guitarrista Bernard Sumner

O produtor Martin Hannett no estúdio com o guitarrista Bernard Sumner

O primeiro álbum da banda de Ian Curtis e Peter Hook faixa a faixa com um pedido bem sincero e oportuno do baixista. “Eu recomendo mesmo que você escute o disco enquanto lê”. O legal é quando estou lendo uma biografia de algum grupo ou artista que me amarro e posso ler o texto ao som dos caras. Então aqui vai um resume de cada canção em cima das reminiscências sensoriais do artista inglês.

Disorder – Peter Hook explica que os acordes marcantes da faixa não são da guitarra de Bernard Sumner, mas de seu baixo, a partir de um erro com a palheta. “Foi um erro, mas no fim foi um erro do bem”, brinca. Tem um trecho da música que lembra o U2. “Eu ganho espírito, perco os sentidos, deixo para fora em algum lugar”, diz parte da letra.

Days of the lords – O baixista lembra que os integrantes da banda se preocuparam com o uso de teclados na faixa pelo produtor Martin Hannett. “O quê? Teclados? Se quiséssemos a porra dos teclados teríamos um tecladista!”, escreve. “Martin estava certo, no entanto”, admite. “Este é o quarto, o começo de tudo”, diz os versos iniciais.

Candidate – Segundo Hook a canção foi escrita no estúdio de última hora, já que Martin Hannett cismou que não tinha música suficiente para fechar o álbum. “Vão ali vocês dois e façam mais duas músicas”, ordenou ao baixista e o baterista Steve Brotherdale. Deu certo. “Eu fiz campanha para nada, eu trabalhei duro para isso”, ironiza a letra.

Insight – É uma das faixas preferidas de Hook, revelando que o som fantasmagórico do início era de um velho elevador de carga. Os efeitos em alguns trechos tem cara de influência do Velvet Underground. “Uma das coisas incríveis sobre o Joy Division era que usávamos o baixo para compor músicas”, se deleita. “Refletindo um momento no tempo/Um momento especial no tempo”, canta Ian, soturno.

Joy UnknowsNew dawn fades – Na opinião do baixista é a música que os fãs mais gosta do álbum, o que soa estranho para ele já que é uma faixa convencional para os padrões da banda. “É uma música muito simples e muito econômica”, lamenta. “Uma mudança de velocidade, uma mudança de estilo”, provoca o vocalista logo na abertura.

She’s lost control – Uma das músicas mais famosas da banda, teve letra inspirada numa garota epilética que acabou morrendo durante um ataque. “Deve ter sido uma experiência aterrorizante para ele”, comenta o baixista, se referindo ao vocalista Ian Curtis, que também sofria da doença. “Ela caminhou sobre o fio da navalha do desengano”, diz atordoado.

Shadowplay – Segundo Peter Hook essa é a faixa que o guitarrista Bernard Sumner queria que soasse como The ocean do Velvet Underground. Toda vez que ouço me lembro de Ainda é cedo, da Legião Urbana. “Não mais compreendendo como assassinos todos agrupados em quatro linhas/Dançando no chão”, é um dos trechos intensos da faixa.

Wilderness – Sem falsa modéstia Peter Hook já escancara longo de cara que a linha de baixo é uma das coisas mais fantásticas que já fez na vida. Ouça a faixa e concorde com o cara. É delícia pura. A letra é uma crítica ao uso errado da religião. Não sei porque, mas a cadência da faixa me lembra The Doors. “Eu viajei por longos e vastos caminhos através das prisões da cruz”, diz um dos trechos inspiradores. “É poesia. Uma vez que você decifra o significado da letra, ou ao menos o que você acha o que é o significado dela, dá para você se perder nela”, filosofa.

Interzone – Única faixa do álbum cantada pelo baixista que revela ter sido inspirada num cover de Keep on keepn’ on. Agora alguém aí me diz de quem é a música? “Quatro, doze, dez janelas em uma fileira”, seja lá o que Ian Curtis e a turma queria dizer.

I remember nothing – Lentamente soturna, é cheia de efeitos com cacos de vidros quebrados e outros sons eletrônicos criados pelo guitarrista Bernard. A letra é inspirada numa das canções mais famosas de Frank Sinatra, Strangers in the night. “Violenta, mais violenta, a mão dele destroça a cadeira”, é uma parte da faixa que lembra o título de uma das mais famosas canções dos The Smiths, The hand that rocks the cradle.

* Este texto foi escrito ao som de: Unknown pleasures (Joy Division – 1979)

Unknow pleasures

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