Selva trágica (1964)

O ator Reginaldo Farias protagonizando segundo filme do irmão Roberto

O ator Reginaldo Farias protagonizando segundo filme do irmão Roberto

Bem antes de dirigir as aventuras de Roberto Carlos e a turma da Jovem Guarda o cineasta Roberto Farias flertava com um cinema de forte tendência social. Essa abordagem crítica da realidade brasileira tinha muito a ver com o movimento do Cinema Novo e está bem explícito no sucesso, O assalto ao trem pagador (1962), mas muito mais em seu trabalho seguinte, o desconhecido, Selva trágica (1964), que vi outro dia no Canal Brasil.

Estrelado pelo irmão Reginaldo Farias, o filme tem como cenário de Robinson Crusoé a fronteira do Brasil com o Paraguai, trazendo como tema as desigualdades sociais no campo e o trabalho escravo no cultivo da erva-mate, planta típica da região. Uma das cenas iniciais da fita é chocante, mostra um agricultor carregando nas costas fecho com 200 quilos do produto.

“Que seu anjo da guarda esteja por perto”, ironiza um dos exploradores.

No elenco, além de Reginaldo Farias, o experiente Jofre Soares e Maurício do Valle, no papel que iria encarna inúmeras vezes na tela, a do senhor autoritário. “Rapaz, se eu tivesse um irmão eu gostaria que fosse como você”, comenta com o personagem de Reginaldo Farias.

A sequência final da perseguição implacável e trágica no meio da selva traz desfecho triste. Tão ou mais triste quanto a denúncia apresentada nessa história forte que o público e parece que também a crítica nem deu pelota na época. Ainda bem que temos o Canal Brasil.

* Este texto foi escrito ao som de: Gal canta Caymmi (Gal Costa – 1976)

Gal canta Caymmi

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