Musas do cinema – Catherine Deneuve

A atriz em 1969, segundo Buñuel, bela como a morte e fria como a virtude

A atriz em 1969, segundo Buñuel, bela como a morte e fria como a virtude

Grande dama do cinema francês, Catherine Deneuve é uma esfinge de enigma e sua imagem sofisticada e glacial a eternizou como musa fria e burguesa. Alguém, nas palavras exageradas do diretor espanhol, Luís Buñuel, “bela como a morte e fria com a virtude”. Filha de pais atores, a atriz começou a carreira cedo, aos 13 anos de idade, durante as férias escolares, para ganhar uns trocados, como uma ninfeta do primário em Amores de colegiais (Les collegiennes). Depois disso nunca mais parou mais.

A consagração veio no musical, Os guarda-chuvas do amor (Le parapluies de Cherboug, 1964), o filme de Jacques Demy que desbancou Deus e o diabo na Terra do Sol (1964) em Cannes naquele ano. Graciosa, trabalhou com os grandes diretores de seu tempo, de Roman Polanski a François Truffaut, passando por Roger Vadim, com quem deu seu primeiro filho e quem, para o horror da família, foi morar aos 17 anos.

Mãe também de Chiara Mastroianni, filha de Marcello, hoje setentona, a atriz ainda continua na ativa e diz que não dá muita pelota para a idade, tentando “envelhecer da maneira mais graciosa possível”, ensina. Como diria o Bob Dylan, Lady, Lady, Lady…

Top five – Catherine Deneuvep17350_p_v7_aa

A bela da tarde (Belle de jour, 1967) – Nesse filme de Buñuel que é uma espécie de terror sexy, ela é a esposa de um médico bem sucedido que dá o nome ao título na pele de uma prostituta de meio expediente num bordel requintado. Sua presença frígida no dia a dia, mas pervertida nos sonhos, fez com que o cantor pernambucano Alceu Valença escrevesse pra ela a canção Belle de jour.

Repulsa ao sexo (Repulsion, 1965) – No primeiro filme de Polanski realizado fora da Polônia ela vive uma manicura bela e tímida que se deixa levar por crescente processo de esquizofrenia. O resultado? Ela mata todos os homens que chegam perto dela. Eu bem que queria levar umas facadas da atriz.

Fome de viver (The hunger, 1983) – Ao lado do eterno astro do glam rock David Bowie ela dá vida a uma vampira bissexual que se impõe com sua imagem gélida e sensual. A cena dela numa cama de dossel com Susan Sarandon é sensualidade em nível elevado.

Oito mulheres (8 femmes 8 fleurs, 2002) – Talvez um dos maiores sucessos de bilheteria da carreira da atriz, o filme é uma comédia musical cheia de suspense que coloca em cena oito mulheres suspeitas de um crime no Natal. A “bela da tarde” Catherine Deneuve é uma delas.

Dançando no escuro (Dancing in the dark, 2002) – Até o misógino e genial Lars von Trier se rendeu aos encantos da bela atriz que, aqui cinquentona, esbanja beleza, mesmo na pele de uma operária que é melhor amiga de uma imigrante tcheca vivida, veja só, por Björk.

* Este texto foi escrito ao som de: The many faces of Joy Division (Joy Division- 2015)

Many

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