Menino do Rio (1981)

Cláudia Ohana e André de Biase antes dela ser Vamp e ele Armação Limitada

Cláudia Ohana e André de Biase antes dela ser Vamp e ele Armação Ilimitada

Há uma frase de um filósofo árabe que nunca consigo lembrar o nome que é o seguinte: “Somos mais parecidos com o nosso tempo do que com os nossos próprios pais”. E é verdade. Clássico dos anos 80, o filme Menino do Rio se encaixa perfeitamente nesse contexto. É um autêntico produto de seu tempo. O título, como você já deve ter percebido, foi inspirado em canção homônima escrita por Caetano Veloso dois anos antes e imortalizada na voz de Baby Consuelo. E o garotão em questão é ninguém menos do que o eterno “Armação Ilimitada”, André de Biase, aqui um jovem surfista apaixonado loucamente pela riquinha e mimada Patrícia Monteiro (Cláudia Magno).

Mas o romance meloso é só pano de fundo para os roteiristas Bruno Barreto e Antônio Calmon – esse último diretor do filme -, exaltar com muita leveza e simpatia a geração saúde da época que adorava Sol, praia, surfe, voos de asa delta e azaração com gatinhas nos calçadões de Copacabana e Ipanema. Enfim, uma ode deliciosa ao Rio de Janeiro pós Bossa Nova e longe da violência e caos urbano de hoje recheado de belas canções pop românticas escritas por Lulu Santos e Nelson Motta. “Garota eu vou pra Califórnia…”.

E a Califórnia era o Rio de Janeiro daquela época. No elenco, muitos rostos novatos que anos mais tarde iriam deslanchar de vez na teledramaturgia brasileira como Evandro Mesquita, Cláudia Ohana, Cissa Guimarães, Pedro Paulo Rangel e Nina de Pádua. Sérgio Mallandro, com suas brincadeiras bobas e caretas bizarras já dava o ar da graça. Mas a estrela da fita, no entanto, é o jovem ator e músico Ricardo Graça Mello – que cairia em ostracismo depois de esporádicas performances na televisão -, fazendo o papel do descolado e desprendido Pepeu, ponto convergente, em todos os sentidos, de todos os personagens da trama. É gostoso de vê-lo cantando, com desenvoltura juvenil ao violão o grande sucesso da época, De repente Califórnia.

Um filme delicioso de ver como uma onda…

* Este texto foi escrito ao som de: Tempos modernos (Lulu Santos – 1982) Lulu Santos 2

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