Paulo Betti – Autobiografia autorizada

Com muito humor e ironia o ator revisa 40 anos de trajetória no CCBB Brasília

Com muito humor e ironia o ator revisita 40 anos de trajetória no CCBB Brasília

A referência mais longínqua que tenho do ator Paulo Betti é da novela Vereda tropical. Nem lembro o ano do folhetim global e como está tarde, estou bêbado e estou morrendo de preguiça, que você consulte o google para checar a data certa. Na trama ele era um dos irmãos italiano da cantina de dona Bina (Geórgia Gomide), que disputava com o irmão Luca (Mário Gomes), o amor da complicada Silvana (Lucéia Santos).

Anos mais tarde, bem mais tarde, tive oportunidade de entrevista-lo durante uma edição do FicBrasília, ali na Academia de Tênis, quando ele veio lançar o filme Cafundó, sua inusitada e frustrada experiência como produtor e diretor de cinema.

Bem, todas essas reminiscências novelísticas e jornalísticas em torno do ator passaram pela minha cabeça como num filme quando fui ver ontem a pré-estreia da peça Autobiografia autorizada, em cartaz até o dia 19 no CCBB. Escrita e co-dirigida pelo ator, o texto revisita de forma ultra divertida e emotiva 40 anos de carreira. Mas engana quem ache que o artista de 62 anos traz revelações dos bastidores de sua trajetória de ator consagrado.

A peça em sua grande parte gira em torno da fase menino e adolescente de pé no chão do ator que nasceu pobre na pequena cidade paulista de Rafard e cresceu em Sorocaba. Meio que desnudando um diário catártico e sensorial desse período, Paulo Betti vai revelando, entre uma história e outra, uma série de episódios particulares e personagens incríveis com quem cruzou. Uma delícia, por exemplo, um locutor esportivo e o radialista cultural que cita filmes hollywoodianos.

Não faltam caricaturas sinceras e divertidas de tipos interioranos paulistas descendentes de imigrantes e de integrantes de sua família. As figuras da mãe benzedeira, do pai esquizofrênico e da avó materna espirituosa estão presentes do início ao fim da montagem. O lado místico, irônico, iconoclasta de si mesmo e sincero do ator que tira sarro dele, do público e do sistema que o projetou como artista também.

“Por favor, avisem que a peça não é um monólogo, mas um stand up. Se vocês espalharem que é um monólogo ninguém vem ver”, debocha.

* Este texto foi escrito ao som de: Milionário e José Rico (1973)

Milionário e José Rico

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