Tubarão (1975)

“Queria fazer um filme que deixasse marcas não na bilheteria, mas na consciência das pessoas”, comentou Spielberg na época.

“Queria fazer um filme que deixasse marcas na consciência das pessoas”, comentou Spielberg.

Confesso que nunca morri de amores pelo cinema de Steven Spielberg. Acho que por conta dessa glorificação boboca do herói norte-americano que sempre tem em seus filmes. Também pelo apelo comercial fácil dos enredos aliado a sentimentalismo irritante. Mas o fato é que o cara acertou algumas vezes. O império do Sol (1980), por exemplo, é bem legal. Tubarão (1975), que revi outro dia com minha sobrinha de cinco anos, também.

No pequeno balneário de Amity, Brody (Roy Scheider) é um patrulheiro de Nova York que há 25 anos zela pela paz e bem estar da população local. Um dia aparece um corpo todo destroçado na praia e a insegurança contamina os moradores da região com iminência de um possível Tubarão, menos o prefeito (Murray Hamilton) que, com visão mercenária, não quer saber dessa história de interdição.

“Isso aqui é um balneário, nós sobrevivemos com o dinheiro dos turistas”, argumenta.

Preocupado, Brody, que tem pavor de água, vai buscar a opinião de especialistas e é quando entra em cena o ótimo Richard Dreyfuss, aqui na pele do oceanográfico Hooper, um sujeito obcecado por essas feras do mar.

“Como um sujeito que mora numa ilha pode ter medo de água”, ironiza.

Para ajuda-los nessa perseguição implacável em alto-mar eles contratam os serviços do experiente e arrogante marinheiro Quint (Robert Shaw), uma reencarnação moderna do rancoroso Capitão Ahab do clássico da literatura Moby Dick, o personagem de Hermann Melville que tinha obsessão por capturar uma baleia branca gigante que lhe arrancou a perna.

Impressionante como Spielberg, na linha Alfred Hitchcock, consegue desde o início prender a atenção do espectador com angustiante suspense tendo em mãos um roteiro simples, mas certeiro, boas atuações e um mero tubarão gigante mecânico. O senso de humor dos diálogos em meio a tensão vigente da fita funciona.

No livro Como a geração sexo-drogas-e-rock’n’roll salvou Hollywood o autor Peter Biskind recupera um depoimento profético do então jovem diretor. “Queria fazer um filme que deixasse marcas não na bilheteria, mas na consciência das pessoas”, comentou o diretor aos seus produtores na época.

Ele conseguiu as duas coisas.

* Este texto foi escrito ao som de: Uma outra estação (Legião Urbana -1997)

Uma outra estação

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