A magia de Miró na Caixa Cultural

Os traços de Miró tem que deixar sentir, não adianta buscar explicação racional no que vê...

Os traços de Miró têm que deixar sentir, não adianta buscar explicação racional no que vê…

O que mais me encanta na obra do pintor Miró é a combinação leve e quase lúdica das cores de seus trabalhos. É como se ele estivesse brincando de pintar e na verdade a arte de pintar era uma grande diversão para esse artista espanhol nascido em Barcelona em 1893. Daí o entusiasmo e satisfação com que fui ver a exposição A magia de Miró na Caixa Cultural.

Em cartaz no espaço até 30 de agosto, a mostra reúne 69 trabalhos de um período que vai de 1960 a 1983, além de 23 fotografias com imagens do próprio Miró feitas pelo fotógrafo e conde de Villamonte, Alfredo Melgar, dono desse maravilhoso acervo.

Como eram fantásticos esses artistas espanhóis do século passado! Está aí a arte eterna de Salvador Dalí para não me deixar mentir. Mas Joan Miró era um surrealista com pegada menos agressiva visualmente que o compatriota polêmico.

O que mais me encanta nas pinturas do artista é a paz que elas me passam com seus traços minimalistas objetivos e a caricatura surrealista da forma como um todo. É um estilo sensorial no qual temos que sentir o que o artista quis dizer por meio daquelas pinceladas abstratas. Portanto, olhar para as obras de Miró buscando uma explicação racional de imediato é cuspir para cima.

O meu preferido dessa exposição, claro, é a série O cavalo ébrio (1960), impactante com suas cores vibrantes e traços líricos nervosos. Chien, de 1976, talvez seja uma referência-homenagem ao cineasta Luís Buñuel. Séries de litografias de 1960 parecem reproduções experimentais de alguma experiência com ácidos e isso alguns anos antes da febre do LSD. A simplicidade óbvia de uma paisagem desenhada sob um corpo abstrato em trabalho de 1977 é encanto puro, enquanto que borrões negros e manchas cinzas instigantes

Alguns trabalhos chamam atenção pela simplicidade com que o artista teceu sua criatividade, com traços desenhados à caneta sob um simples papelão. Gênio é assim. Precisa de muito pouco para se expressar.

* Este texto foi escrito ao som de: Blondie (1976)

Blondie

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