O tronco (1998)

A atriz Letícia Sabatella no elenco do filme baseado em obra de Bernardo Élis

A atriz Letícia Sabatella no elenco do filme baseado em obra de Bernardo Élis

Escrito por Bernardo Élis, O tronco é um dos romances cruciais da literatura brasileira, que conta a queda de braço entre os poderosos coronéis do interior de Goiás e o governo local. Li o livro no segundo grau, numa daquelas baterias preparatórias para o vestibular e a recordação mais forte que me vem à cabeça agora é de que se trata de uma leitura difícil. De modo que já tirei minha edição empoeirada da José Olympio da estante para revisitá-lo assim que o tempo me der régua e compasso.

Já o filme eu revi outro dia no Canal Brasil e a única coisa que me recordava era do ator e cantor Rolandro Boldrin e sua basta barba branca na pele do poderoso coronel Pedro Melo. Dirigido por João Pedro de Andrade em 1998, um ano após a morte do autor, o filme traz um elenco global para contar essa saga sobre a terra, o poder e a tirania, com todos os abusos e excessos que essa condição nefasta permite.

É um autêntico bang bang em que mocinhos e bandidos se misturam e duelam numa ciranda de balas, sangue e morte ao sabor dos interesses financeiros e sociais, ou seja, os eternos ingredientes causadores de uma guerra. Idealista, o personagem de Ângelo Antônio, num de seus primeiros trabalhos no cinema, tenta restaurar a ordem no lugar ao se contrapor com os desmandos autoritários da família na condição de coletor de impostos. Logo vai ser chamado de traidor e, com a vida ameaçada, se vê num beco sem saída, mas ele não desiste.

“Esse lugar não vai deixar de ser o ermo que é se essa gente continuar desrespeitando a lei”, comenta com o único subordinado que tem.

O último esgar de esperança é a vinda de um juiz da capital vivido por Antônio Fagundes, mas ele chega ao local com mais sede de sangue do que os truculentos jagunços e peões da região armando, definitivamente, o seu circo do terror.

Com bela fotografia e trilha sonora cativante de Tavinho Moura, o filme se perde num roteiro frouxo que bem poderia aprofundar nos dramas humanos de alguns personagens. Mas é um trabalho que, pelo espetáculo dos combates e excessivos voos das gruas, funciona como entretenimento. Divertido é saber, como deve ser também ao ler o romance, a origem do título dessa obra escrita há quase sessenta anos.

* Este texto foi escrito ao som de: Desire (Bob Dylan – 1976)

Bob Dylan Desire

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