Astros do Cinema – Jardel Filho

O ator na pele do personagem de

O ator na pele do personagem de “Terra em transe”, Paulo Martins, um dos meus preferidos

O ator Jardel Filho causou furor na última edição do CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Eu sei, eu sei, ele morreu há mais de 30 anos, mas o que posso fazer se seu sex appeal ainda mexe com o inconsciente das pessoas, homens e mulheres. E tudo porque ele apareceu sem camisa no drama, Antes, o verão, filme de 1968 de Gerson Tavares, numa cópia restaurada tinindo de nova. “Jardel Filho sem camisa é um pão”, chegou dizer Luciana Araújo, professora da Universidade de São Carlos, durante uma mesa de debate.

Bom, apesar de uma produção cinematográfica tímida, o astro de porte atlético, voz tonitruante e rosto europeu emprestou seu talento e virilidade em três fases cruciais do cinema nacional: na época do estúdio Vera Cruz, durante o Cinema Novo e em algumas produções da pornochanchada.

Filho de pais artistas, Jardel Filho nasceu durante uma temporada teatral em São Paulo. A carreira como ator, claro, começou nos palcos, interpretando personagens de Eugene O’Neill, Jean Anouih e Nelson Rodrigues. Mas foi no cinema e, mais tarde na televisão, que ganhou popularidade nacional. Sua morte trágica durante as filmagens da novela Sol de verão causou comoção nacional.

Para mim o jornalista idealista e romântico Paulo Martins de Terra em transe está não apenas entre os melhores de sua carreira, mas um dos mais marcantes do cinema nacional. Ele declamando versos do poeta Mauro Faustino com metralhadora na mão é um puro sundae.

Top five – Jardel FilhoTerra em transe

Terra em transe (1967) – Claro alter ego do cineasta Glauber Rocha, Paulo Martins é daquele tipo de personagem que você se identifica de tal maneira que tem vontade de encontra-lo bem ali no boteco da esquina após o fim da sessão. A força do personagem está na integridade e entrega do ator que acreditava cega e piamente no discurso apaixonado e convulsivo do personagem.

Antes, o verão (1968) – Confesso até com certa vergonha que nunca tinha ouvido falar do filme e do diretor Gerson Tavares e logo me encantei pelos dois, muito pela atuação do ator que faz aqui um daqueles tipos antonionianos, cheios de charme e loucura moral.  Ousadia + talento = Jardel Filho.

Pixote, a lei do mais fraco (1980) – Parece até pecado, mas o marido, genro, filho e amante que toda mulher queria ter também interpretou vilões e dos bons, como este carcereiro sádico e durão que inferniza a vida dos meninos de uma prisão para menores.

Macunaína (1969) – Para mostrar que o ator nunca esqueceu sua passagem pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), se deixa soterrar por quilos de maquiagem para encarnar o soturno personagem, Venceslau Pietro Pietra, o gigante devorador de gente.

O segredo da múmia (1982) – Destituído de vaidade e disposto a correr qualquer tipo de risco na carreira topa fazer aqui uma rápida aparição nessa deliciosa comédia de humor negro do mestre do terrir, Ivan Cardoso.

* Este texto foi escrito ao som de: Assim caminha a humanidade (Lulu Santos – 1994)

Lulu Santos - Assim caminha a humanidade

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