“Evoluímos ou desapareceremos”

Preconceito e hipocrisia são duas coisas que todos nós infelizmente temos...

Preconceito e hipocrisia são duas coisas que todos nós infelizmente temos…

Lá em casa todo mundo acha que eu sou gay só porque me simpatizo com a causa, ou seja, sou um sujeito que não tenho nada contra, nenhum preconceito com quem gosta de meninos e meninas. O que prova que pobreza de espírito existe também nas “melhores famílias”. Preconceito é algo imoral, indecente e que existe dentro de todos nós desde que nascemos, por um processo de osmose, mas há aqueles que sabem reconhecer esse mal e educar o espírito e o caráter de acordo com o bom senso. Até porque, como diria o jornalista e escritor Euclides da Cunha no livro Os sertões, sobre algo que nada tinha a ver com o assunto:

“Evoluímos ou desapareceremos.”

E uma prova de que isso está acontecendo, enfim, que estamos evoluindo, mesmo que a passos de tartaruga, foi essa aprovação recente do casamento gay em território nacional num dos países mais preconceituosos e racistas do mundo: os Estados Unidos. Lá, meu chapa, não é como essa coisa velada e hipócrita aqui no Brasil, não. Lá os brancos não gostam de negros e os heterossexuais não gostam de gays e ponto final. De modo que essa vitória não vai sair barato, de graça. Mas que venham os inimigos!

Essa conversa toda me fez lembrar duas coisas. A primeira é a história de um menino racista que se dizia ter ódio de negro, mas que adorava basquete e que tinha como ídolo o Michael Jordan. Quando questionado o fato de o Michael Jordan ser um negro ele saiu com a seguinte pérola. “Mas ele não é negro, ele é o Michael Jordan”.

A segunda é uma tia preconceituosa que tenho e que é uma catedral de contradições. Primeiro porque ela não sai da igreja e se diz uma cristã devota, mas não tem tolerância às minorias como os negros, índios e homossexuais. E a pergunta que faço de si para si é, como uma pessoa pode ser cristã com esse tipo de mentalidade? Quer saber? Para mim Jesus Cristo foi uma drag queen negra muito louca que rodava a baiana pelas ruas de Jerusalém num cabaré do Chefe Apache Tonto. E que minha tia e gente como o Malafaia vão para o quinto dos infernos.

* Este texto foi escrito ao som de: As quatro estações (Legião Urbana – 1989)

Quatro estações

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