Antes, o verão (1968)

Jadel Filho, um pão de peito de fora em cena antológica do filme...

Jadel Filho, um pão de peito de fora em cena antológica do filme…

A mostra de cinema de Ouro Preto já valeu só pela exibição do filme Antes, o verão, do diretor Gerson Tavares. Mas vem cá… Quem foi Gerson Tavares? Até a exibição do filme e do projeto de restauração dos seus trabalhos realizados pelo pesquisador e professor de cinema Rafael de Luna Freire, não sabia quem era. Normal, um sintoma do descaso de nossos governantes e empresários com os grandes nomes da cultura cinematográfica brasileira. Se não dá retorno financeiro para quê revisitar, resgatar, lembrar, divulgar, enfim, dá acesso?

Baseado em obra homônima de Carlos Heitor Cony, o filme narra os desenlaces amorosos de um casal de classe média alta do Rio de Janeiro. A trama se passa em Cabo Frio e começa tenso, com o atropelamento e morte de um sujeito vivido por Hugo Carvana que, até o final da história, o espectador não sabe direito de onde veio e como passou a fazer parte da rotina dessa família que têm os atores Jardel Filho e Norma Bengell como protagonistas, os dois no auge de suas carreiras.

Ousado para época, abordando temas espinhentos como adultério, luta de classe, o filme, com seu título anticomercial, é um achado da cinematografia nacional que merecia ter sido resgatado, como tudo dessa época. A influência direta aqui é o cinema contemplativo e reflexivo do mestre Antonioni e a primeira fase de Ruy Guerra. Mas senti algo de Walter Hugo Khouri, mas como não conheço bem a filmografia deste último para por aqui.

Os atores. Bem, confesso que não morro de amores por Norma Bengell, nunca fui de ter faniquitos por ela, nem mesmo por conta da antológica e provocadora cena de nudez de Os cafajestes, de Ruy Guerra. Mas é um nome importante da cinematografia nacional, pela atitude e postura ousada como artista. Já Jardel Filho, como bem colocou a professora da Universidade de São Carlos, Luciana Araújo, durante seminário do CineOP, é um pão com seu dorso nu boa parte do enredo. Uma inovação, tendo em vista que sempre a nudez feminina é colocada em evidência.

Quer saber? Sair da sessão com vontade de ler o livro do Cony, que é um dos meus autores-jornalistas preferidos. Quem sabe esse título não desbanca minha adoração pelo romance Quase memória…

* Este texto foi escrito ao som de: Acoustic collection Oasis (1995 – 2002)

Oasis - Acoustic Collection

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