Musas do cinema – Mônica Vitti

A bela atriz em cena de

A bela atriz em cena de “A aventura”, primeiro filme da famosa trilogia do mestre Antonioni

Não há como falar do nome da elegante atriz Monica Vitti e não pensar em Michelangelo Antonioni. Não apenas porque eles foram casados, mas também porque ela foi a personificação feminina perfeita das angústias do cineasta nas telas. Mas charmosa e dona de uma voz sensual, a atriz não colocava muita fé no seu potencial como musa e preferiu começar a carreira no cinema, veja só, dublando. Mas Antonioni a viu de costas e passou a cantada que salvou toda uma geração de marmanjos: “Tem uma bela nuca, pode fazer cinema”, disse o mestre, ao que ela respondeu sem perder a piada: “Sempre de costas?”.

Aos 83 anos, a diva, hoje afastada do cinema e reclusa, lembrou certa vez que, na adolescência, quando vinha da escola e passava em frente à Academia de Arte Dramática Nacional, em Roma, ficava ouvindo da rua, jovens gritando, sorrindo, chorando e se jogando no chão. “Parecia um hospício, mas com loucos felizes”, comentou, confessando que despertara ali nela assim o ímpeto pelas artes.

Os primeiros papéis foram em comédias despretensiosas de Edoardo Anton e Mario Amendola, mas foi com o sensível Antonioni que sua trajetória ganhou notoriedade internacional atuando em dramas existenciais. Uma gazela em cena encarnava com desenvoltura a mulher burguesa moderna vazia e frustrada, meio desnorteada e carente. O tipo de mulher que adoraríamos encontrar perdida por aí.

Top four – Monica VittiEclipse

A noite (1961) – Ela é uma dos personagens abandonados numa festa cheia de glamour e futilidade em trama que discute a incomunicabilidade nas relações humanas, diga-se de passagem, o embate amoroso e sentimental entre os sexos opostos. É deleite puro a cena em que ela brinca, sentada no chão, de acertar o quadrado branco ou preto com uma pedra.

O eclipse (1962) – Última parte da trilogia sobre a incomunicabilidade do mestre Antonioni, o filme mostra uma Monica Vitti desnorteadas pelas ruas de Roma em busca do amor perfeito, da relação adequada. É nítida a fragilidade da personagem em meio à cidade.

A aventura (1960) – Marco do cinema moderno italiano, o filme exacerba ao extremo o existencialismo de Antonioni na falta de comunicação afetiva com o desaparecimento de uma mulher durante um cruzeiro pela Costa da Sicília. Assassinato, acidente, sequestro, suicídio? Em meio ao desespero da dúvida, um amor que brota do desespero na figura de Monica Vitti.

O deserto vermelho (1964) – Numa situação típica do “cinema da angústia” desenvolvido pelo mestre Antonioni a atriz encarna uma mulher adúltera cujo conflito existencial é evidente não apenas nos diálogos, mas na poesia do visual. Em seu primeiro filme colorido o cineasta faz as cores se adaptar à beleza de sua eterna musa.

* Este texto foi escrito ao som de: A tempestade (Legião Urbana – 1996)

Tempestade

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