Jesus travesti e carolas no cinema…

Essa polêmica toda em torno do Cristo travesti me deu vontade de ver

Essa polêmica toda em torno do Cristo travesti me deu vontade de ver “Jesus de Montreal”

E de repente ser petista agora virou crime. Como se o outro lado, a oposição, fosse assim, digamos a quintessência da legalidade. O que acontece é que política nesse país não é algo confiável, nunca foi e, iludido é, quem pensa que é. Não se pode levar a sério uma nação que tem um presidente da Câmara dos Deputados o Eduardo Cunha, o Dudu da Idade Média, e o presidente do Senado Renan Calheiros, o Nonô das roubalheiras do sertão alagoano. O Tom Jobim é que estava certo: “O Brasil não é para principiantes”, debochou certa vez o músico.

Bem, mas porque estou dizendo tudo isso mesmo? Ah, sim, lembrei, para falar sobre generalizações, clichês ideológicos e preconceitos. O Brasil, o país da multicultura, da miscigenação de raças e não sei mais o quê é uma nação racista e cheia de preconceitos. Ou seja, tudo não passa de pose e hipocrisia engessada na crença do cristianismo e balelas do tipo. E digo isso por experiência própria porque as pessoas mais conservadoras, hipócritas e cheias de preconceitos são aquelas que frequentam as igrejas, sejam elas católicas ou evangélicas, enfim, igrejas cristãs de qualquer tipo.

Outro dia mesmo fui ver ao drama pernambucano Sangue azul, a terceira ficção de Lírio Ferreira, e um casal de senhoras deixaram a sessão, indignadíssimas, depois de ver o ator Milhem Cortaz dar a bunda sob o luar de Fernando de Noronha numa cena do filme. Ora bolas, se o sujeito não tem inteligência emocional, maturidade intelectual ou sensibilidade humanista para ver um filme do Lírio Ferreira, que fique em casa rezando o terço ou na igreja comendo aquele papelzinho que chamam de o “corpo de Cristo”. Deixa o Milhem brincar de gay e viva o homossexualismo que ninguém tem a ver com a vida de ninguém. O que importa é o caráter.

Pois bem. Transexual, espírita e bonita, Viviany Beleboni, 26 anos, despertou a fúria de religiosos xiitas e políticos oportunistas ao encenar, na última Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo, a crucificação de Cristo seminua. Segundo ela, a ousadia do ato é um protesto contra a homofobia no país. “Nunca tive a intenção de atacar a igreja. A ideia era, mesmo, protestar contra a homofobia”, disse. “Usei as imagens de Jesus, humilhado, agredido e morto. Justamente o que tem acontecido com muita gente no meio GLS”, justificou.

Logo, romanos como Marco Feliciano manifestaram repúdio contra o protesto apostando num discurso balela cheio de generalizações preconceituosas. Qual o problema de Cristo ser gay ou travesti se ele já foi hippie e até humanamente humano como mostrou Martin Scorsese em A última tentação de Cristo (The last temptation of Christo, 1988)? E se Cristo fosse gay ou travesti, teria algum problema? Sei lá, há mais coisas importantes para se preocupar do que com a possível banalização da imagem de Cristo.

Quer saber? Essa polêmica toda me fez ficar com vontade de rever o drama canadense do Denys Arcand, Jesus de Montreal.

* Este texto foi escrito ao som de: Ela (Elis Regina – 1971)

Ela

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