Musas do cinema – Odete Lara

Musa do Cinema Novo, a atriz chegou a cogitar fazer Odete Rotiman no cinema

Musa do Cinema Novo, a atriz chegou a cogitar fazer Odete Rotiman no cinema

A atriz Odete Lara viveu bastante. Foram 85 anos de vida dedicados ao teatro, televisão e cinema. Talvez por causa do trauma da infância e juventude, já que a mãe se suicidou quando ela tinha 6 anos e o pai nos seus 18 anos. Musa do Cinema Novo, o primeiro trabalho que tevê foi como secretária. Loira, olhos verdes ofuscantes e charmosa, não demorou a começar a carreira de modelo, sendo atração do primeiro desfile de moda do Brasil, realizado no MASP. Encantado com sua beleza, o fundador do museu Pietro Maria Bardi não titubeou em indica-la para a TV Tupi. Nascia uma estrela.

Sempre achei que ela fosse nossa a nossa Marlene Dietrich. Acho que porque ela também tivesse talento para cantar, subindo ao palco ao lado de mestres como Antônio Carlos Jobim, Sérgio Mendes e Chico Buarque. Foi casada com o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho – o grande amor de sua vida -, o autor Euclydes Marinho e o diretor Antônio Carlos Fontoura, com quem fez os filmes Copacabana me engana (1968) e A rainha diaba (1974). Não deixou filhos e depois que abraçou o budismo abandonou a carreira de artista.

Detalhe. O papel da vilã Odete Roitman foi oferecido primeiramente à atriz, que recusou o desafio por já estar numa outra estação. Uma pena já que teríamos aquela que seria a mais bela rainha da maldade da televisão brasileira.

Top Five – Odete LaraNoite vazia

O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969) – Impressiona a figura imponente da atriz metida em figurinos mórbidos no estilo noiva cadáver, aqui no papel de uma mulher fatal que não perdoa o amante vivido por Hugo Carvana.

Noite vazia (1964) – Nessa obra bergmaniana do mestre Walter Hugo Khouri, Odete Lara está divina na pele de uma dama da noite ao lado de Norma Bengell. As personalidades extraviadas das personagens, aliadas à beleza encantadora das atrizes cria um impacto de beleza, luxúria e sensualidade incríveis.

A rainha diaba (1974) – No filme ela é a espalhafatosa Isa Gonzales, uma cantora de cabaré que sustenta jovens gigolôs e metida no mundo do crime. A entrega da atriz à personagem mundana impressiona.

Copacabana me engana (1969) – Aqui ela é Irene, uma mulher madura que se envolve com um jovem rapaz (Carlos Mossy) num dos pontos turísticos mais emblemáticos do Rio de Janeiro. Esbanjando sexualidade e beleza, ela se mostra bem à vontade numa produção moderna para época, tanto do ponto de vista temático, quanto da forma.

Boca de ouro (1962) – Primeiro mergulho da atriz no universo de Nelson Rodrigues, aqui ela é Dona Guigui, a amante do personagem-título que confunde o público com três versões da história do bicheiro.

* Este texto foi escrito ao som de: Ela (Elis Regina – 1971)

Ela

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