O sal da terra

“Uma pena eu não ter o dom de Cora Coralina para deitar nesse papel versos telúricos”

Uma sinfonia de mugidos e cacarejar corta o horizonte na fria e escura madrugada da roça. A rotina na fazenda começa cedo, a lida no campo é dura, mas edificante. Sela o malhado e desce a serra. Cerca o gado e prende no barracão. O tilintar dos baldes, chifres escoiceando a madeira, o choque do leite quente no fundo do metal. O cheiro é o do sal da terra.

Intervalo para o café da manhã na primeira hora do dia. O doce cheiro do café preto, forte, puro feito com muito carinho no fogão de lenha. Pão de queijo, bolachas crocantes e saborosas que só a tia Yolanda sabe fazer, queijo fresco na mesa, fartura que a terra brinda o homem matuto que alimenta com o suor do seu trabalho os homens desalmados da cidade.

Uma pena eu não ter o dom da vó Cora Coralina para deitar nesse papel versos líricos e telúricos sobre os prazeres da vida no campo, da autenticidade do sal da terra que emana dos campos de lá do outro lado do rio. Onde a vida é mais simples, feliz e pura.

* Esse texto foi escrito ao som de: Almir Sater ao vivo (Legião Urbana – 1992)

Almir Sater ao vivo

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