Amor bandido (1979)

Cristina Aché e Paulo Gracindo vivem filha e pai em lados opostos do sistema

Cristina Aché e Paulo Gracindo vivem filha e pai em lados opostos do sistema

Não sei como eu ainda não tinha assistido ao filme Amor bandido do Bruno Barreto. Acho que por puro preconceito. Nada contra o Luiz Carlos Barreto, o Barretão, que foi um dos importantes do Cinema Novo e tal e ainda hoje atuante produtor do cinema brasileiro, mas alguma birra contra os filhos dele, Bruno e Fábio Barreto. Sei lá, talvez seja um pouco de inveja, misturada com despeito da minha parte, vai saber.

Depois do estrondoso sucesso de Dona flor e seus dois maridos (1976), segunda maior bilheteria da história do cinema, Bruno, então um jovem com 24 anos, se viu metido numa trama hardcore que surge na tela em forma de contundente e perturbadora crônica do submundo carioca. Um gueto onde se misturam travestis, gays, cafetões, assassinos e prostitutas, como a bela Sandra (Cristina Aché), filha de um delegado violento vivido pelo formidável Paulo Gracindo.  Ele não aceita a situação de ver a filha metida com a escória do mundo e tenta trazê-la de volta para casa, sem sucesso, claro.

“Teve um momento que preferi estar morto ao ver aquilo”, lamenta, ao contar que a assistiu em plena atividade na boate onde trabalha.

Nesse interim, um serial killer (Paulo Guarnieri, em seu primeiro papel como ator) anda atazanando a vida dos motoristas de táxis da cidade e tirando o sossego da população e da Segurança Pública do Rio de Janeiro. “Bandido não vê Kojak, não. Bandido trabalha a noite inteira”, zomba o delegado encarregado do caso, ao flagrar seus subordinados perdendo tempo vendo o seriado estrelado por Terry Savalas.

Direto, frio e cruel, como os assassinatos cometidos por esse psicopata da noite carioca, o precioso roteiro de Leopoldo Serran e as belas atuações de Amor bandido envolvem o espectador do começo ao fim, pintando uma imagem pálida e sem rodeios de um dos cartões postais mais belos do mundo. Punk até o osso. E tudo ao som da melhor fase do rei. “Eu sinto ciúme até do Roberto Carlos”, diz o vilão da trama, esboçando demência ingênua de dá dó.

* Este texto foi escrito ao som de: Roberto Carlos (1971)

RC - 1971

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