Memórias de um legionário

Biografia do guitarrista da Legião Urbana traz visão diferente da história

Biografia do guitarrista da Legião Urbana traz visão exclusiva da história

Lendo a biografia do Dado Villa-Lobos. Como fã ardoroso da Legião Urbana, claro, esperei ansioso para comprar o livro, mas confesso que o fluxo da narrativa não é, digamos assim, atraente. Mas é uma crítica de quem escreve, arduamente, todos os dias. Mas o cara, por ter presenciado tudo de perto, estado no olho do furacão, traz histórias exclusivas, privilegiadas. Por exemplo, ele foi um dos primeiros amigos a saber da morte do Renato Russo, chegando ao apartamento dele na Rua Nascimento e Silva, Ipanema, Rio, às 5h da matina.

“Lá estava seu Renato, quieto e resignado, talvez aliviado com o fim do sofrimento do filho”, narra no livro lançado pela obscura Mauad.

Mas o que é legal é que a história da maior banda de rock do país é contada agora por outro ponto de vista. A do guitarrista Dado Villa-Lobos. Filho de um diplomata, Dado, que não era viciado, nasceu na Bélgica em junho de 1965 e só ficou íntimo do português aos seis anos de idade, quando veio morar em Brasília, em 1971. Antes, passou pela antiga Iugoslávia, França e Uruguai.

Ao chegar em Brasília, o espanto, como bem previra o arquiteto Oscar Niemeyer. “O importante na arquitetura e numa obra de arte é o espanto”, comentava. E o que não faltou ao menino dado foi o espanto. “O meu primeiro contato com Brasília foi um choque. Acostumado ao traçado das cidades tradicionais, fiquei surpreso com a arquitetura e o planejamento urbano modernistas da capital federal. No Plano Piloto de Brasília, avenidas substituem ruas e o espaço é setorizado, ou seja, cada setor deve corresponder a uma respectiva função”, descreve o músico.

Pois bem. Da frieza do concreto e beleza dos espaços ermos, nasceria, anos depois, o rock de Brasília. “Eu me perguntava como seria a vida ali, e o que teria para fazer em uma cidade estranha como aquela. Tinha a impressão de Brasília como um lugar inacabado, ainda em formação, e essa avaliação fazia sentido. Afinal, eu tinha 6 anos, e a cidade, 11. Éramos quase da mesma idade”, observa o artista, que estudou na Escola Parque da Asa Sul. “Era uma instituição pública bem bacana, perto da quadra 104 Sul, onde eu morava”, lembra.

* Este texto foi escrito ao som de: O descobrimento do Brasil (Legião Urbana – 1993)

Descobrimento do Brasil

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