Grandes Astros do Cinema – Max von Sydow

O cavaleiro e a morte. O ator (dir.) em cena clássica de filme de Bergman, seu mestre confesso

O cavaleiro e a morte. O ator (dir.) em cena clássica de filme de Bergman

Eu já gostava de Max von Sydow bem antes de saber que ele era Max von Sydow. Explico. Foi quando vi Conan, o Bárbaro (Conan, the Barbarian, 1982) e ele fazia aquele rei magnânimo que enche os ladrões que invadiram seu castelo com esmeraldas e rubis. Depois veio o existencialista drama medieval O sétimo selo (Der sjunde inseglet, 1957), o confronto entre o cavaleiro e a morte, e a minha admiração pelo trabalho do ator sueco de 86 anos, ainda em plena atividade, nunca mais dissipou.

“Nós atores somos narcisistas, gostamos do aplauso”, disse certa vez.

Como não podia deixar de ser, Max von Sydow, filho único de uma família de classe alta da pequena Lund, começou a carreira no teatro e aperfeiçoou sua técnica nos palcos com o mestre Ingmar Bergman, um espect em lapidar talentos em estado bruto. Juntos fizeram os melhores filmes de sua carreira de mais de 50 anos. “Tudo o que sei e sou devo a ele. Ele não me via como uma marionete, mas como seu igual”, reconheceria anos mais tarde o ator.

O rosto pesado, marcante, demasiadamente carregado e sisudo lhe renderam papéis de líderes, guerreiros, tipos shakespearearianos e homens de fé. Foi, por exemplo, ninguém menos do que Jesus Cristo em A maior história de todos os tempos (The greatest story ever told, 1965). Aliás, não demoraria muito para o ator ter seu talento reconhecido na América, onde, entre produções medianas e importantes, foi indicado e vencedor a vários prêmios. Mas como ele mesmo disse, não existe maior reconhecimento do que o respeito e o carinho do público.

“A vida é uma permanente descoberta e que viver é carregar a herança daqueles que amamos e foram importantes para nós”, ensinou certa vez.

Top five – Max von SydowHawaii

O sétimo selo (Der sjunde inseglet, 1957) – O medo mítico impingido por esse drama em sua metáfora incisava do duelo da vida contra a morte é perturbadora até hoje para mim, mesmo que já tenha visto essa trama umas dezenas de vezes. O roteiro amargo, niilista e reflexivo de Bergman de nada adiantaria sem a inesquecível atuação de Max von Sydow.

Através de um espelho (Såsom i en spegel, 1961) – Rodado na famosa Ilha de Fårö, famoso retiro sueco do cineasta Ingmar Bergman, narra, no espaço de um dia, os conflitos e dramas de uma família em crise. Max von Sydow é o médico Martin, marido que tem que lhe dar com a esquizofrenia da esposa. É contundente um diálogo dos dois num momento de paz.

Tão forte e tão perto (Extremely loud & incredibly Close, 2011) – Bons atores de teatro como Max von Sydow estão acostumados a tirar de si sentimentos e atuações que eles nem imaginavam que teriam capacidade de fazer. Um exemplo dessa premissa está no desempenho do ator nesse drama pós o fatídico 11 de setembro. Em cena, ele praticamente não fala, se expressando pela melancolia áspera de seu semblante.

Hannah e suas irmãs (Hannah and Her Sisters, 1986) – Aqui Max von Sydow é jogado na teia de neuroses e afetos construída por Woody Allen numa sinuosa e conturbada radiografia de casais moderno em Nova York. Uma prova de que um ator está com prestígio no mercado é quando é chamado para trabalhar num filme de Woody Allen.

Havaí (Hawaii, 1966) – Gosto muito do desempenho do ator como o padre Merrin em O exorcista (The exorcist, 1973), mas o religioso calvinista deste filme de aventura tem mais, digamos assim, presença. Aqui ele é Abner Hale, um jovem religioso que entre em choque cultural com nativos do pacífico.

* Este texto foi escrito ao som de: Bandwagonesque (Teenage fanclub – 1991)

Teenage fanclub

 

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