A estrada 47 (2013)

E no meio do caminho tinha uma mina... Tinha uma mina no meio do caminho...

E no meio do caminho tinha uma mina… Tinha uma mina no meio do caminho…

Outro dia se comemorou 70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial e confesso que li pouca coisa sobre a participação do Brasil no conflito, que sabemos, foi tímida. Apenas 25 mil soldados da Força Expedicionária Brasileira foram enviados para lutar numa frente na Itália. Li pouca coisa sobre o tem e também não corri atrás sobre isso, mas esbarrei nesse drama que está em cartaz bem ali no Libert Mall. Dirigido por Vicente Ferraz, o filme coloca em evidência a participação brasileira no combate que durou seis anos. A trama do drama é fictícia, mas tecnicamente bem feita. Narra, em tom de missiva, a operação de um grupo de soldados pela ótica de Guima (Daniel Oliveira).

“Agora estou aprendendo a matar pela pátria. Não sei se vou conseguir ser o herói que o senhor pensa que sou, pai”, diz ele logo na abertura.

E lá está ele e os companheiros no meio do caminho com a missão de desativar minas no campo inimigo, na tal estrada 47, que nunca existiu por aquelas bandas da Itália. Como é de se esperar, não há muitos efeitos pirotécnicos nessa produção, sem muitas emoções visuais e me parece que essa nem era a pretensão do cineasta Vicente Ferraz, diretor do espetacular documentário Soy Cuba – O mamute siberiano (2005).

A premissa em que Ferraz apóia é o humanismo em tempos de terror e daí está a A estrada 47 3importância do personagem Piauí (Francisco Gaspar), por exemplo, maldosamente chamado pelos colegas de caserna de Paraíba. Divertido, simples, ele sintetiza a essência do filme quando cria um elo afetivo com um soldado alemão. “Aonde é que se viu alemão crioulo!”, brinca ele, se referindo ao sargento Laurindo (Thogun Teixeira), o negro da companhia.

Homenagens aos correspondentes de guerra como Rubem Braga, Joel Silveira e José Hamilton Ribeiro é perceptível na figura do repórter Rui (Ivo Canelas) e o ótimo ator gaúcho Júlio Andrade (Gonzaga: De pai para filho) faz participação de coadjuvante, como é de se esperare, com responsabilidade.

Bem, não sei se gostei do filme, que tem narrativa arrastada e algumas sequências bobinhas e inverossímil. Mas do ponto de vista técnico é uma produção esmerada, com direção de arte correta e fotografia melancólica deslumbrante. Algumas atuações são marcantes. A do soldado nordestino Piauí é uma delas. Não sei, não. Mas deve estar surgindo por aí um novo Genro Camilo.

* Este texto foi escrito ao som de: Grand Prix (Teenage Fanclub – 1995)

Garnd Prix - Teenage Fanclube

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