León Ferrari – Resistência e Transgressões

Artista plástico argentino morou seis anos no Brasil

Artista plástico argentino homenageado no CCBB Brasília morou seis anos no Brasil

Você sabe quem foi León Ferrari? Não?! Não se preocupe, mas errou quem disse que se trata de algum parente da escuderia italiana de Fórmula 1. Nascido na argentina em 1920, em Buenos Aires, Ferrari foi um anárquico artista plástico que, entre 1976 e 1982, viveu no Brasil, em São Paulo, fugindo da repressão militar de seu país. Aqui produziu extensa obra visual que agora você pode conhecer na exposição, Resistência e Transgressões, desde ontem aberta ao público no Centro Cultural Banco do Brasil.

Ao todo são 52 obras que mesclam traços abstratos e uma visão crítica, provocadora até, com relação à conceitos políticos e religiosos. Todas as obras exibidas no CCBB, entre telas e esculturas, foram criadas em sua estadia brasileira. Uma síntese do seu estilo pode ser conferido na enorme tela “Cristo”, que traz a figura de Jesus sendo observada por um abutre, desmistificando a áurea sacra de imagens do gênero. “(Ferrari) Foi um dos mais ousados, provocadores e inovadores artistas do século 20”, comentou o simpatissímo embaixador argentino, Luis Maria Kreckler. “Ele conseguiu misturar a iconografia religiosa com sua
postura crítica diante das injustiças e desigualdades da sociedade, da política e da religião”, observa o diplomata, há três anos radicado no Brasil.

FerrariConfesso que, na minha santa ignorância sobre artes plásticas, nunca tinha ouvido falar do artista argentino León Ferrari. Contudo, fiquei impressionado com o que vi, como a série de obras em que debocha da austeridade da santa igreja misturando imagens religiosas com cenas milenares do kama sutra. Noutra sequência de obras sem título, o artista mostra os conflitos da grande metrópole paulista com irreverência e dubiedade, ao comparar a vias e ruas com as cavidades do coração. A ironia portenha vem à tona numa escultura feita de ferros em formas de espinhos, retratando sua relação com o pai.

Após viver seis anos no Brasil, Ferrari voltou ao seu país de origem onde morreu em 2013, aos 92 anos. A obra transgressora do artista foi exposta no MOMA de Nova York, no Museu Reina Sofía de Madri e na Pinacoteca de São Paulo. Não deixa de ser um luxo e oportunidade única de conferir fragmentos da obra desse artista, sobretudo fragmentosbrasileño, bem ali, no Centro Cultural Banco do Brasil.

“Desejo que o olhar sem julgamento possa brincar com as transgressões de Ferrari e celebrar a arte como uma maneira de compreender o mundo”, sintetiza o embaixador Kreckler no texto de apresentação da exposição.

* Este texto foi escrito ao som de: Catch a fire (Bob Marley & The Wailers – 1973)

Catch a fire

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