Batman – O cavaleiro das trevas (2008)

“Aquilo que não nos mata nos torna mais… estranho”, o Coringa citando Nietzsche

Batman é de longe o meu super-herói predileto. Sempre foi. Desde os tempos em que devorava gibi no segundo grau ou de quando não perdia um episódio do seriado tosco maneiro dos anos dos anos 60. Acho porque ele não tem superpoderes ou por causa de sua psique meio perturbada, adquirida pelo brutal assassinato dos pais. Pois bem, com a trilogia do genial diretor inglês Christopher Nolan o homem-morcego ganhou em dignidade, realismo e humanismo. E também em conceito e prestigio com seus fãs e eu sou um deles.

O cavaleiro das trevas é o segundo filme da série comandada pelo cineasta e tem como premissa o embate entre o herói mascarado e aquele que talvez seja o seu maior vilão, o ardiloso Coringa, vivido aqui de forma magistral pelo ótimo ator australiano Heath Ledger (1979 – 2008), que surpreendeu a todos com sua atuação perturbadora do sarcástico palhaço. O desempenho impecável do ator lhe rendeu um Oscar de Ator Coadjuvante póstumo, já que ele morreria, precocemente, em 2008, vítima de overdose acidental.

E acredite meu chapa, o Coringa de Heath Ledger é maior do que o Batman de Christian Bale e é nesse detalhe que se concentra, imagino eu, muito do sucesso da fita. Embora eu adore o Coringa de Jack Nicholson, o realismo psicótico e demente da caracterização imprimido por Heath Ledger é, assustadoramente, impressionante. “O único jeito de se viver nesse mundo é não seguir regra nenhuma”, desafia. “Eu estou na vanguarda”, provoca cinicamente.

Na trama ele bate de frente com a máfia local e a lei com seus rompantes de egocentrismo e Batman 2loucura desenfreadas. Ele rouba milhões de dólares não porque é ganancioso, mas pelo prazer da aventura, ou como mostra Alfred, o fiel e descolado mordomo de Batman na metáfora sobre os “bandidos da floresta de Burma”, pelo prazer de ver o circo pegar fogo.

“Vocês só pensam em dinheiro. Essa cidade merece uma classe melhor de bandidos. E vou dar a ela isso”, diz o palhaço insano ao bando de criminosos amadores que o segue. E quando ele sai de sua caixa, toca o terror na cidade.

E ao mesmo tempo em que tem que lidar com um criminoso psicopata, Batman entra em crise existencial quando o promotor da cidade Harvey Dent (Aaron Eckhart), coloca em xeque o fato de Gothan City ser protegida por justiceiro mascarado. “Gothan City precisa de um herói sem máscara”, se penicia.

Criado nos anos 30 pela DC Comics, o Batman de Nolan é mais denso e psicológico, resgatando a imagem do herói das trevas depois de algumas adaptações cinematográficas desastradas, dando uma abordagem mais intensa e crua ao personagem. Inclusive esboçando certo cinismo e ironia, sobretudo quando tem que se confrontar com o promotor Harvey Dent, que virar a ser, após um grave acidente, o vilão Duas-caras. Apesar da pirotecnia visual, que em filmes de super-heróis tem que ter e, o roteiro de Nolan se sobressai por trazer conteúdo.

Uma frase no início do filme dita pelo Coringa ilustra com perfeição o conflito intenso entre o bem e do mal aqui, que na verdade, se confundem. “Aquilo que não nos mata nos torna mais… Estranho”, diz, parafraseando Nietzsche.

* Este texto foi escrito ao som de: Beyoncé (2013)

Beyoncé

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